Mães e Pais na 1ª Pessoa

Inês Simões 

Eu, Mãe

Ver para Vacinar

Isto pode acontecer a uma criança que não seja vacinada contra a tosse convulsa. Eu não consigo ver este vídeo até ao fim, é demasiado doloroso para mim ver o sofrimento a que esta bebé está sujeita. E não é dos piores vídeos, que esses não tive coragem para postar. Pode tossir até morrer. Até morrer! Quem diz uma criança que não seja vacinada, diz uma criança que AINDA não esteja vacinada – por isso as vacinas são dadas em tenra idade, por isso é que os bebés não devem ser expostos a ambientes com demasiada gente e confusão nos primeiros meses de vida.

A notícia do reaparecimento da difteria em Espanha, numa criança de seis anos, que se encontra em estado grave, por conta da decisão anti-vacinação dos pais, está a pôr novamente na mesa o absurdo que é a moda absolutamente indefensável da não vacinação.

Se as criaturas que decidem não vacinar os filhos tivessem a mínima noção do que é tentar sobreviver às doenças das quais escolhem não proteger os seus filhos, não haveria estas ideias peregrinas anti-vacinação. São seguramente problemas deste “primeiro” mundo, que não está habituado a lidar com doenças infantis mortais, altamente prejudiciais mas felizmente evitáveis. Ter tosse convulsa não é ter varicela, não é ter gripe! E ainda assim morre-se de gripe, qualquer doença é perigosa, por isso são doenças! Por isso as prevenimos, por isso nos protegemos, enquanto indivíduos e enquanto sociedade. Cada um de nós tem de fazer a sua parte, e se passa pela vacinação de toda a população, que preço tão baixo a pagar pela nossa saúde!

Estes pais espanhois, que acredito já estejam a passar pelo maior castigo de todos, ainda assim devem ser responsabilizados pelo que causaram ao inocente filho e à (nossa) saúde pública.

De facto, quando na comunidade haja um número razoável de indivíduos (adultos ou crianças, mas as crianças são mais vulneráveis) que não estejam vacinadas contra a tosse convulsa, usando o exemplo do vídeo, tal situação pode permitir o surgimento e rápida propagação de um surto de tosse convulsa e em último caso, os meus filhos, que estão vacinados e nada têm a ver com as escolhas estapafúrdias dos outros, podem ainda assim apanhar tosse convulsa. Quem diz tosse convulsa, diz sarampo, hepatite, poliomelite e outros. Mais, não é apenas uma questão de lidar com a doença, é uma questão de lhe sobreviver e arcar com possíveis efeitos secundários, por vezes muito graves.

Os vírus não desaparecem, as bactérias também não, mesmo que não se manifestem há anos. É disso que essa gente esquece. É que há bons motivos para vacinar as criancinhas, que mais vale um ou dois dias de febre, mesmo que alta, mesmo que chore, mesmo que seja uma “um cocktail de vírus”, do que arriscar levar com a doença a sério. A única forma de lidar com vírus é criar forças, dar armas ao sistema imunitário para contra eles lutar, caso apareçam e quando apareçam. Para melhor lutar, há que proteger a si próprio e criar barreiras comunitárias, ou seja, que toda a comunidade vacinada permita o enfraquecimento da acção do vírus pois ele não tem por onde entrar em força, como seja um corpo fragilizado pela falta de imunidade.

Eu faço a minha parte. Vacinei os meus filhos e questiono sempre nas escolas onde estão sobre as suas posições quanto a crianças não vacinadas e deixo bem claro que, se é obrigatória a apresentação do boletim de vacinas actualizado para efectuar a matrícula, eles têm a obrigação de impedir crianças não vacinadas de lá entrar. Porque há que arcar com as consequências de não vacinar os filhos e os tornar potenciais focos de doença. Porque temos de fazer a nossa parte e se eu não sei o que se passa com a criança ou o adulto que está ao meu lado na passadeira, ao menos que saiba dos coleguinhas do infantário, com quem passará horas a fio e cujos brinquedos partilhará.

Porque eu não quero ver nenhuma criança como aquela ao vivo e a cores.

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