Mães e Pais na 1ª Pessoa

Vera Pereira 

As Viagens dos Vs

Vamos todos fazer um grande favor às mães, pode ser?

Vamos falar de mamas! Não é de mamãs, é mesmo de mamas! Venho fazer um apelo para que as deixem em paz, a elas e às mulheres que acabaram de parir e precisam de tudo, menos das opiniões subjectivas e pessoais de cada um.

Se pensam que as maravilhas da maternidade começam quando o bebé nos é colocado nos braços, estão muito enganados. A partir daí, entramos numa roda viva de outras emoções, dúvidas, alterações de humor, isolamento, ataques de choro e de tantas outras coisas, algumas delas originadas pelas nossas mamas. Só para terem uma pequena ideia:

Ainda na maternidade, e depois de já não termos nada a esconder de ninguém – porque todos já viram tudo o que havia para ver – há uma enfermeira querida que quer certificar-se que temos colostro para alimentar o nosso filho. E vai daí que, sem demoras, somos apertadas e espremidas para terem mesmo a certeza que sai alguma coisa. Naqueles instantes, somos invadidas pela ansiedade do suspense: será que temos?! – Ufa… temos!

Fase seguinte: a subida do leite! De um dia para o outro, as nossas mamas, que já tinham atingido proporções interessantes durante a gravidez, não só crescem ainda mais, como deram lugar a duas rochas! Nada mexe; não podemos tocar, porque dói; temos que dar de mamar, mas também dói; dizem-nos para irmos para o duche; para fazermos massagem antes de dar de mamar e colocarmos frio a seguir; em casos graves, mandar o marido às couves, que é como quem diz, pedir-lhe que vá comprar couves para colocarem uma folha em cada mama – só para que saibam, a couve é um excelente anti-inflamatório. Depois, há os casos mais graves: as mastites. As recém-mães, acabadas de regressar a casa, podem ter que voltar ao Hospital; podem ter febre; podem ter que deixar de dar de mamar e tirar leite com uma bomba – algo que lhe vai doer muito mais do que dar de mamar ao seu filho – e isto é só uma amostra e, felizmente, nunca chega a essa ponto;

– Depois, sempre que se aproxima a hora de mamar, começamos a sentir calores e picadas nas ditas; também não é de estranhar se ficarmos com a roupa molhada do leite que, entretanto, já foi saindo;

Há alturas em que mal conseguimos baixar os braços; 
– Temos a sensação que não temos qualquer controlo sobre o nosso corpo, porque assim o nosso bebé se aproxima, é leite por todo lado;

Temos alta do médico para fazer TODA a nossa vida normal, e um marido, namorado, companheiro que começa a ficar entusiasmado, enquanto nós começamos logo a arranjar uma forma de ninguém tocar ali. Onde antes podia haver prazer, agora há desconforto e até uma certa incerteza por não sabermos o que podem acontecer se lhes tocarem!

Não aproveitaram durante a gravidez porque a barriga vos fazia impressão?! Mas deviam, porque, agora, somos nós que ficamos intolerantes ao toque.

Como se tudo isto não bastasse, temos ainda as pessoas à nossa volta que, sempre que um bebé chora, levantam inevitavelmente dúvidas em relação às nossas mamas e à sua capacidade de cumprir o seu papel. Damos por nós a ter que justificar que o nosso filho não está a passar fome; a ter que explicar que não, o nosso leite é bom e que nós nada temos a ver com aquela tia-avó que nunca conseguiu dar de mamar. Sim, nós dispensamos ouvir histórias de quem não conseguiu amamentar ou do bebé que chorava muito e que, afinal, era mesmo fome e que, por isso, nós devemos ter atenção.

A recém-mãe precisa de ajuda e de apoio, sim, sem dúvida. Porém, aquilo que ela mais precisa é que se preocupem com o que ela come, com o que há para fazer em casa e que podem ajudar, que a deixem dormir quando ela pode e tem vontade – a adrenalina, por vezes, nem sempre nos deixa dormir quando o bebé dorme – ou, simplesmente, que lhe façam companhia e lhe contem o que se passa “no mundo lá fora”.

Vocês não têm ideia de como pode ficar uma recém-mãe após ouvir certos comentários, como toda a sua segurança e tranquilidade, que são tão precisas nesta fase, podem cair por terra quando começam a avaliar a qualidade do seu leite ou a franzir o olho, de cada vez que ouvem o bebé chorar, dizendo: “isso cá para mim é fome”. Poderá ser fome, como podem ser igualmente tantas outras coisas, o stress já é tanto que não vale mesmo a pena contribuir para que ele aumente. Combinado?!

Bom dia.

Sem Títulogasviagensdosvs