Atualidade

22 de Junho de 2015

Vacina da BCG pode ser retirada do Plano Nacional

Rotura de stock em laboratório dinamarquês ameaça também a disponibilidade de testes de tuberculose.

Setembro foi o prazo dado para a reposição da vacina BCG (antituberculose) pelo laboratório de Estado dinamarquês que fornece Portugal. Além da rotura no stock da vacina – que começou no verão passado -, há também o risco de ficarmos sem prova de tuberculina, usada para o diagnóstico da doença, já que os dois produtos vêm do mesmo laboratório e têm produção associada.

O diretor-geral da Saúde Francisco George garante que não se trata de um problema de Portugal, muito menos de questões de orçamento. “Não é falta de encomenda, até porque o produto é acessível”, sublinha Francisco George. A questão é que o tal instituto nórdico está em processo de remodelação dos métodos de produção, de forma a cumprir as novas diretivas europeias, e não tem conseguido responder aos compromissos assumidos com os vários clientes.

Para já, as provas tuberculina (ou teste de Mantoux) disponíveis nas unidades e centros de saúde são suficientes até setembro, mas a partir daí pode ser complicado. “Há alternativas, mas nenhuma tão simples e imediata”, admite o especialista em saúde pública, que esclarece que não faz sentido encomendar os testes a outro laboratório, uma vez que o Mantoux tem de estar relacionado com o tipo de vacina administrado no país – específico do laboratório e do método de produção utilizado.

Quanto à vacina, a situação não será tão crítica, uma vez que o número de novos doentes de tuberculose em território nacional tem diminuído de forma consistente, estando atualmente próximo dos 20 casos por 100 mil habitantes. “A vacina apresenta um grau de proteção baixo e só tem interesse em países onde a incidência de tuberculose é muito elevada. Há vários países da Europa onde esta já não é administrada e nós caminhamos para o mesmo”, avança Francisco George, que cita os exemplos da Holanda, Noruega e da Islândia.

Francisco George admite, portanto, que a vacina BCG venha a ser retirada do Plano Nacional de Vacinação (uma decisão que só será tomada mediante parecer de uma comissão de peritos) ou até que a mesma seja dada apenas nas regiões onde há mais focos de doença, como são os casos da península de Setúbal e o Grande Porto.

Fonte: Visão