Mães e Pais na 1ª Pessoa

Rita Mendes 

Barriga Mendinha

Uma mãe que viaja sozinha…

Está quase quase. Faltam 3 dias para a minha viagem.

 A minha irmã Mariana está em Praga a estudar e eu… vou ter com ela. Já há uns tempos que ando no “vai-não vai” mas ela volta daqui a dois meses e não queria mesmo perder a oportunidade de conhecer a cidade e mais ainda… de usufruir de uns dias “à antiga”… Sim, “à antiga”… uma semana onde a simplicidade, as relações humanas, as experiências, os locais vão ser o principal, uma semana em que abdicarei do conforto dos Hotéis “xptos” e dos restaurantes da moda, uma semana a dormir na residência universitária onde ela está e onde as companheiras terão 24 (a mana) e 29 anos (a nossa amiga que foi há dois dias também, antes de mim)… e eu vou, por tudo isto agarrar nos meus 38…e metê-los na sacola… ahahha… para ver se consigo entrar a 100% na onda delas.

Hoje apeteceu-me contar o que me vai na alma e tentar sublinhar o que uma viagem (e o seu significado em certas alturas da vida) podem fazer por uma pessoa. Isto, porque o que parece básico e simples para uns (os que não tem ligações familiares fortes como as que tenho e vivem a vida com aquela sensaçãozinha de existência nómada, que por um período de tempo pode ser tão boa…) ou para outros… completamente impossível (algumas mães de filhos pequenos já me olharam de soslaio e disseram coisas como” meu Deus!! Como consegues ficar longe dos teus filhos tantos dias!?”….). E eu, como (quase sempre) posiciono-me no meio. Meio termo.

Sou Mãe mas ainda Mulher, mais ainda Pessoa ( e quantas vezes, nós mães de pequenos pirralhos, nos esquecemos disso). E não viajo para fora do país… acho que… hummm…. há 4 anos será isso? Bem, não nos esqueçamos que me ausento muitos fins de semana para eventos e “gigs” aí pelo país fora e por isso sair em lazer é quase coisa proibida, já que acabo por “gastar os cartuxos” para ir ganhar tostãozinho e palmilhar kilómetros por este Portugal dos pequeninos.. enfim… mas viajar para conhecer um novo país… não o faço desde que fui a Cabo Verde (e aqui entre nós, com memórias não muito felizes.. grrr…).

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Vou. E vou com mais vontade ainda, do que antes de ter filhos e a vida mais “condicionada”. Se é que me entendem… porque a verdade é que damos sempre mais valor quando não temos. E agora, ao invés da minha vida há uma década atrás, vivo bastante limitada às rotinas familiares e profissionais e apesar da vida que transmito para fora, poder parecer um pouco mais “sui generis” do que a das mães com profissões mais normais, devido às minhas atividades de Dj e Rp, a verdade é que a disponibilidade não é a mesma, nunca mais foi, não é assim tão diferente das outras mães. Nem pelas efetivas obrigações, nem pelo que o coração me diz, e que é: “Não te consegues afastar para muito longe… nem durante muito tempo”… E assim, a ordem tem sido cumprida…

Mas a verdade é que há momentos em que nos faz bem voltar à nossa essência, à “Pessoa” que somos (e às vezes sentimos que “fomos”), deixar de ser  “A Mãe de”.. . e ganhar de novo identidade, nome, carateristicas, enfrentar os nossos medos, abraçar os nossos sonhos… nem que seja por uma semana, numa outra cidade, a forçar a nossa energia para aproveitar todos os minutos e momentos ( sim… porque tenho a sensação que vou estar sempre cansada a tentar acompanhar o ritmo das “miúdas”… ou não, vamos ver….) e principalmente a permitir-nos descobrir. Redescobrir quem somos e o que gostamos de verdade (para além da nossa Família). E assim vai ser. Lembro-me de ver algures uma frase de alguém que dizia: “Eu não preciso de um psicólogo, só de uma boa viagem!”. E assim, desta feita, lá vou eu fazer terapia.

Se não vou morrer de preocupação e saudades? A primeira felizmente não. Dentro dos “senãos” da minha vida, uma das grandes sortes que tenho é confirar de olhos fechados em ambos os pais dos meus filhos. O Afonso vai ficar com o Pai Roger (que está todo entusiasmado em ficar com ele uma semana e tal) e a Matita manter-se-á em casa com o Pai Hugo nas suas rotinas normais ( mas… sem mim! aiiiii!!!). Sei que são atentos e os meus filhos estão muito habituados a estar com eles. Ah… e na 4a e na 6a feira, manterão a rotina da natação juntos… o que também me apazigua por saber que se vão ver e matar saudades um do outro.

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E as minhas saudades? Ui.. isso claro que sim, a cada coisa gira que vir, situação engraçada que viver,  cada noite que me deitar na almofada… sim.. vou tê-los sempre na cabeça e no coração.. mas sabem que mais? Mães felizes e resolvidas, fazem filhos felizes.. e eu acho que vou acrescentar um bocadinho mais de felicidade à minha pessoa com esta viagem e companhias que adoro.

Praga, Cracóvia, Budapeste, Berlim… vamos correr as “capelinhas” e voltarei com muito que contar, garanto… e com muitas prendinhas para os meus Mendinhos todos. Muitos beijinhos. Muitas saudades e mimos. Muitas aventuras e… a certeza de que ser uma boa mãe é… dar o exemplo que consideramos certo aos nossos filhos. Sermos nós mesmos, baseados no que conhecemos do mundo e das diferentes culturas que o povoam, é, entre outros principios, o que acredito ser correto passar-lhes como testemunho. E esta semana e meia (a minha primeira viagem sozinha desde que eles nasceram) vai fazer parte dessa minha história e caminho. Algo que acredito, que eles se orgulharão um dia, quando forem mais crescidos.

Não viajo para fugir da vida. Viajo para a vida não fugir de mim….

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