Mães e Pais na 1ª Pessoa

Catarina Beato 

Dias de uma Princesa

[um desabafo]

Esta será a primeira vez que escrevo de rompante, com o coração na ponta dos dedos. Enquanto se escreve relativizam-se as coisas. Questiono-me, no fim destas linhas, se estarei a exagerar no que sinto, mas estou muito cansada e, nestas alturas, aquilo que nos preocupa, preocupa-nos em dobro, em triplo, é multiplicado por tantas vezes quantas aquelas que nos faltam as forças.

Preocupo-me com o futuro dos meus filhos. Preocupa-me, de forma mais imediata, o meu filho mais velho. Não penso naquilo que será quando crescer, mas desejo que corra tudo bem, que seja capaz de encontrar o equilíbrio entre o que gosta de fazer e aquilo que o sustente. O difícil equilíbrio entre a independência e a felicidade.
Quero – acredito que todos os pais querem o mesmo para os filhos – que as notas sejam boas, que as opções sejam as certas. Quero, obviamente, que seja feliz, antes disso tudo. Mas acredito que, no futuro, o sucesso escolar ajudará na liberdade de escolha do que será quando for grande.
Se quiser ter uma profissão em que não precise de estudar além do 9º ano que o faça apenas porque é aquilo que o faz feliz e não porque é a sua única opção.
O meu filho não é como eu fui: não tem cadernos irrepreensíveis, nem as melhores notas a tudo, não faz os trabalhos de casa por iniciativa própria, nem estuda sem ser obrigado.
A bem de verdade, diga-se que os meus cadernos de linhas direitas e letra perfeita e as minhas notas brilhantes não foram sinónimo de sucesso profissional. Mas a minha mãe pode dormir de consciência tranquila, porque, na sua função, fez tudo no momento certo. Zangou-se quando tinha que se zangar, deu-me ordens quando tinha que dar, olhou-me daquela maneira quando tinha que olhar.
Estas linhas são sobre a minha angústia de não ter a certeza se estou a fazer a coisa certa pelo meu filho: se me estou a zangar quando devo me zangar, se estou a ajudar demais, ou a deixá-lo ser independente demais, se devia obrigá-lo a passar os cadernos a limpo, ou se nem devia ver como ele passa ou não as aulas.
Eu conheço aquelas teorias todas da frustração e da superação de obstáculos, mas queria mesmo era uma caminho sem curvas, um emprego de sonho e a felicidade eterna para os meus miúdos. E já agora, queria isso tudo para ficar de consciência limpa sobre a minha missão de mãe.

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