Atualidade

25 de Novembro de 2013

Todos os dias nascem 19 bebés prematuros

Em Portugal nasceram quase sete mil bebés prematuros no ano passado.

25.11.2013

Mais de metade da mortalidade neonatal deve-se à prematuridade

 

São bebés que não esperaram nove meses para nascer. Lutaram pela vida em incubadoras e desenvolveram-se totalmente com a ajuda de médicos e enfermeiros. São bebés prematuros e, em Portugal, representam oito em cada cem nascimentos.

“Um bebé prematuro perde o terceiro trimestre da sua vida intrauterina, uma fase fundamental da gravidez”, explica Luís Pereira da Silva, pediatra na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.
Um bebé prematuro caracteriza-se por nascer antes das 37 semanas, mas são os grandes prematuros – aqueles que nascem antes das 32 semanas – os que representam um maior desafio. “Quanto mais prematuro, maior será a artificialidade do processo de desenvolvimento e a necessidade de o ultrapassar”, explica o médico.
Em Portugal, nasceram no ano passado 89 841 crianças, o primeiro ano, desde que há registo, com menos de 90 mil nascimentos. Destes, quase sete mil foram prematuros. São 19 bebés a nascerem antes do tempo todos os dias. Tal como a natalidade, a percentagem de bebés prematuros também desceu. Entre 2007 e 2012, passou de 9,1 por cento para os 7,8 por cento.
Os números mostram também que a tendência para a mortalidade entre bebés com menos de 28 dias é para descer. Ainda assim, 73 por cento destas mortes devem-se à prematuridade. A tecnologia e os conhecimentos científicos avançam, assim como a vontade de salvar bebés cada vez mais prematuros.
“Hoje temos bebés que até não consideramos casos difíceis, mas que há cerca de 10 ou 15 anos era impensável salvá-los”, explica Luís Pereira da Silva. “Quando tentamos fazer sobreviver bebés cada vez mais prematuros, naturalmente que os números de mortalidade e morbilidade aumentam. Se tentarmos só os casos mais simples, os números melhoram.” Hoje em dia, e depois dos avanços na ciência, já não se trata apenas de salvar vidas. “O maior desafio é fazer com que os recém-nascidos sobrevivam com qualidade de vida”, evitando a maioria dos seus problemas.

 

Fonte: CMJornal