Mães e Pais na 1ª Pessoa

Catarina Beato 

Dias de uma Princesa

[TNLO ou trail nocturno Lagoa de Óbidos]

quando acabo uma corrida grande fico sempre completamente lamechas. acho que o facto tem explicação hormonal. ontem, entre as 22h e as 02h20 [mais coisa menos coisas] corri quase 28km. o joelho esquerdo portou-se de forma impecável, logo posicionei a força para o lado direito e a partir dos 18km foi sofrimento. e o Z. ali estava, sempre a dar-me luz [porque fui negligente e levei um péssimo frontal]. e da mesma forma que fizemos subidas sem parar, esperou e ajudou em cada descida. e, principalmente, quando os 26km previstos se transformaram em 28km e eu já não via nada [obrigada T. pelo incentivo final na ultrapassagem].

há amizades que nascem em corridas e que se fortalecem em que cada momento de superação. são para sempre, seja numa descida que dói muito, em quilómetros corridos a bom ritmo em silêncio ou noutra tristeza ou alegria da vida de todos os dias. correr limpa-me a cabeça e enche-me o coração. obrigada amigo. por tudo.

e ontem o coração transbordou porque o meu homem, que corre “noutro campeonato” partiu comigo e esperou por mim na meta, coxa, infinitamente feliz, e com paciência para me ouvir a falar, histérica, durante o resto da madrugada. eu esperarei por ti em todas as corridas que não tenho capacidade para fazer ou se, com sorte, a distância que fizeres for mais do dobro e eu conseguir chegar antes. ontem apaixonei-me outra vez e em cima da primeira o que dá uma coisa muito forte.

[e assim termina o meu momento dos Óscares, ainda deitada. também tenho que agradecer à minha mãe e aos pais dos meus filhos que se organizam sempre que há provas para eu poder correr. especialmente ao pai do A. que me incentivou muito quando esta brincadeira começou… há quase um ano.]

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