Atualidade

23 de Fevereiro de 2014

The Lisbon Butler: Um mordomo dos tempos modernos em sua casa

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Quer oferecer um jantar em casa sem mexer uma palha? Ele trata de tudo, da ementa às arrumações.Para manter a tradição viva

Ele vai buscar as chaves de sua casa, entra, acende a lareira, põe a mesa, escolhe a música, acende velas, faz e serve o jantar vestido a rigor, arruma a cozinha e quando sai é como se o jantar não tivesse acontecido. Os clientes confiam nele e essa foi a relação de negócio que Guilherme Bilbao Burguete quis manter desde que em abril se tornou mordomo.

Guilherme, de 27 anos, estudou Gestão Hoteleira – passou pelo Ritz e pelo Sheraton, pelo Restaurante Tavares Rico. Quando embarcou para São Paulo, onde trabalhou na Casa Fasano, percebeu que o seu lugar era em Portugal. “Percebi que precisava da minha família e de fazer alguma coisa pelo meu país. Há dois anos, voltei para Lisboa e comecei a pensar no que podia fazer.”
De volta, depois da experiência numa das mais reconhecidas empresas de eventos do Brasil, começou a trabalhar no restaurante do Centro Cultural de Belém e a organizar festas numa casa da família no Meco. Mas com o trabalho a multiplicar-se depressa entendeu que teria de abdicar de algumas noites no restaurante. “Em 2013, percebi que os jantares que fazia fora dali eram mais rentáveis e me davam mais prazer e isso levou-me a pensar na possibilidade de poder só fazer esses três ou quatro jantares por semana.”
Foi então que se decidiu. Entre setembro e outubro dedicou todo o tempo que tinha ao negócio e, com 2500 euros que tinha guardados, abriu a The Lisbon Butler. Aproveitou os contactos com clientes que já tinha e começou a organizar jantares e eventos, vestindo a pele de um mordomo.
“Tenho pessoas que só me querem a servir, outras que só querem que ponha a mesa ou faça o jantar. Os serviços dirigem-se sobretudo a clientes urbanos, que deixaram de ter tempo e paciência para fazer jantares em casa, mas podem adequar–se a tudo. O Lisbon Butler é a possibilidade de voltar a receber em casa. As pessoas deixaram de poder ter empregados internos, como havia em casa dos avós. Este projeto permite novamente receber sem preocupações e trabalho.”
Entretanto, Guilherme Burguete já se aventura em eventos maiores: este mês organizou um jantar do Dia dos Namorados para seis turistas, com direito a pianista, numa casa alugada em Cascais. “Quando são estrangeiros tento fazer comida portuguesa. Enchidos, queijos, sobremesas tradicionais. E há sempre um segredo. O giro é dar de mim mas também dar aos clientes o fator surpresa, um pouco de magia.”
Os desejos ficam a cargo do cliente, desde que se realizem entre Lisboa e Cascais. E já há planos para o verão: ser mordomo numa casa de férias no Algarve durante um mês.
Retrato
Guilherme organiza, em média, três jantares por semana. Este ano, começou a diversificar o negócio criando uma espécie de cabaz por altura do Dia dos Namorados. Um jantar com mordomo custa, em média, 25 euros por pessoa. As ementas são escolhidas na altura. O mordomo garante sempre uma surpresa: um regresso ao passado mas com os olhos apontados ao futuro.

Fonte: Dinheiro Vivo