Espaço Família | Somos um Casal

2 de Outubro de 2014

Telemóvel e infertilidade masculina. Qual a relação?

espermatozoides-celular

Como sabem hoje em dia já não somos capazes de viver sem um telemóvel. Este pequeno objecto apareceu em Portugal no final da década de 80 (no Brasil em 1990) e desde então já tem milhões de utilizadores (um dado curioso: o Brasil é o quarto pais do Mundo com mais utilizadores de telemóvel). Dado que os telemóveis produzem radiação electromagnética na gama das rádio frequências (RF- EMR) e dado que são amplamente utilizados por milhões de pessoas em todo o mundo, tem sido uma das preocupações da OMS (organização mundial de saúde) averiguar os possíveis efeitos adversos destes aparelhos para a saúde humana.

A corrente oscilatória e as transferências de energia produzidas pelas radiações do telemóvel podem conduzir a um aquecimento rápido que poderá influenciar a qualidade espermática. Mas não só, há outro tipo de interações que não dependem da temperatura e que podem alterar a estrutura das proteínas e aumentar o stress oxidativo e consequentemente produzir danos no DNA espermático.

Recentemente foi publicada uma revisão bibliográfica dos ensaios clínicos realizados entre 2000 e 2012 sobre os efeitos adversos dos telemóveis na fertilidade masculina. Este estudo realizado pela equipa da Dra. Fiona Mathews da Universidade de Exeter compilou e analisou os dados de 10 estudos científicos independentes publicados por centros de fertilidade e centros de investigação. O número total de amostras seminais foi de 1492 e os parâmetros seminais analisados foram a concentração espermática, a mobilidade e a vitalidade.

Os resultados destes estudos foram concordantes de que a exposição aos telefones móveis reduz a mobilidade espermática (aproximadamente em 8%) e a vitalidade dos espermatozóides (aproximadamente 9,1%). Contudo, os resultados desses estudos no que respeita às variações da concentração espermática não foram conclusivos. Existem dados que concluem que a concentração espermática é também alterada mas existem também dados contraditórios pelo que será necessário realizar mais estudos para tirar alguma conclusão a esse respeito.

Uma vez que a maioria dos homens guarda os telemóveis no bolso das calças, ou seja, muito próximo dos órgãos reprodutores, pensa-se que o aquecimento que este aparelho provoca nos testículos poderá conduzir a alterações na espermatogénese (processo de formação e desenvolvimento de espermatozóides) e na produção de espermatozóides. Por outro lado, pensa-se que os efeitos provocados pelos telemóveis sejam mais relevantes em homens que apresentem alterações significativas nos espermogramas.

Este é mais um aviso de como o nosso dia a dia pode alterar a nossa saúde e neste caso concreto a fertilidade masculina. O meu conselho para aqueles homens que pretendem ser pais e que estão a fazer tratamentos de fertilidade, é que façam um esforço nos meses prévios aos tratamentos e não coloquei os telemóveis no bolso das calças!

Nota: as radiações produzidas pelos telemóveis são de baixa frequência e podem ser absorvidas pelo corpo humano. No entanto, estes aparelhos são fabricados de modo a que a taxa de absorção de radiação pelo corpo humano não seja suficiente para ionizar os átomos ou as moléculas. Contudo, e apesar do controlo legal destes aparelhos existem dados de que os telemóveis possam provocar dores de cabeça, aumento da pressão sanguínea e alterações das ondas cerebrais durante o sono.

Sofia Nunes

Embriologista  – Procriação Medicamente Assistida

Blog O Meu Laboratório de Sonhos