Mães e Pais na 1ª Pessoa

Lénia Rufino 

Not so fast

Tanto tempo…

Passei que tempos a queixar-me de que precisava de uma app que me permitisse atualizar o blog com frequência. Mudei de servidor e a app existe. Tenho-a no telemóvel, imagine-se! Uso-a? Nem por isso. Tudo o que me apetece escrever assim num tirinho acaba no Facebook do blog. O resto, o que merece textos mais extensos, fica a marinar (até que, eventualmente, acabo de me esquecer do que queria escrever). Confesso que a app afinal não me dá assim tanto jeito. Ou fui eu que ainda não me habituei. Não sei. Sei que acabo por deixar cair uma série de posts que queria partilhar. Sei que acabo por me baldar a isto assim à grande, durante demasiado tempo.

Entre o último post e este aconteceu a vida. Tive o meu fim-de-semana a solo e, conforme se previa, metade ficou por fazer (mas soube muito bem na mesma). Vi um filme que amei e que não teria visto se não tivesse estado sozinha (“Um Caso Real”, coisinha dinamarquesa, passada no século XVII, com o meu adorado Mads Mikkelsen – sim, a bestinha do 007 Casino Royale e o queridíssimo Hannibal da série com o mesmo nome). Comecei a ver uma série que foi assim uma compulsão até a terminar (e que pus em modo pausa: tenho alguns episódios da segunda temporada para ver mas ainda não comecei porque quero ver aquilo tudo de seguida) – The Fall – isto tem o Jamie Dornan, aka, Mr. Christian Grey, da pornochachada do momento que, by the way, ainda não vi e não tenciono ver tão cedo. Li mais umas coisas das boas e apaixonei-me por dois livros – “Má Luz”, Carlos Castán, e “Eeny Meeny”, M. J. Arlidge. Escrevi. Revi coisas que já tinha escrito e corrigi o que havia a corrigir (e vou voltar a reler e vou voltar a apanhar mais coisas para alterar). Tive uma pausa no curso que me soube a travessia do deserto – hoje é a última aula e à hora a que isto será publicado estarei eu sentada à esquerda do senhor Tordo, cuja mestria tem sido um daqueles bombons que se saboreia bem devagar, para captar bem todos os sabores, todos os aromas, todas as nuances. Percebi – como se eu não o soubesse já – que me falta ler muita coisa importante. “Lolita”, “Moby Dick”, “Crime e Castigo”, “O Velho e o Mar”, entre muitas outras coisas. Confirmei o que já sabia: quanto mais lemos, melhor escrevemos.

É válido para mim e para qualquer pessoa que goste desta coisa que é a escrita. (Percebi também – e que me desculpem as pessoas que se inserem neste grupo – que não tenho grande empatia intelectual com quem só lê romances românticos e novelices light. É um preconceito, eu sei. Mas já o tinha assumido algures aqui no blog: continuo a não considerar estes géneros coisas culturalmente evoluídas. E sim, tenho noção de que este é um comentário que pode ser interpretado como pedante.) Descobri que o Nuno Amado, autor de “À Espera de Moby Dick”, livro que amo desmedidamente, está prestes a editar o seu segundo romance, “Manual de Felicidade para Neuróticos” (que título do caraças!). E, notinha final sobre a temática livreira, dia 22 sai o oitavo romance do João Tordo, “O Luto de Elias Gro” – um mês para a desgraça, portanto.

Também houve a Páscoa e este ano, ao contrário do ano passado, regressei a casa com o mesmo peso com que saí. Não me perdi entre sabores, não desatinei, não estraguei tudo. Comi como como em casa, permiti-me uma sobremesa no almoço de Páscoa e fim de história. Sem dramas que para drama já me bastam os meus 30% de massa gorda – isso, 30 porcento de mim é toucinho. Um mimo.

E é isto. Está feito o resumo. E agora vou ali pegar num caderno e dedicar-me ao último trabalho de casa para o curso – são vinte e três e quarenta e tenho umas quatro páginas para escrever. Coisa pouca. Not.

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