Espaço Família | Somos Avós

Bem Estar

21 de Abril de 2013

Socorro! Vou ser avó!!!

Foi directo. Não hesitou em nenhuma palavra… os olhos brilhavam! Estava ansioso e simultaneamente seguro como se guardasse um tesouro… “ vou ser pai!”. Fiquei colada à cadeira e entre gargalhadas e abraços, pensei…

«Não me chamem isso, não combina comigo! Eu nem acredito que já sou avó!».

As palavras atrapalhadas de uma recém-avó que, aos 44 anos, viu nascer o primeiro neto, refletem o dilema com que muitos se confrontam.

Sim, ser avó pode ser um choque. O nascimento do primeiro neto suscita euforia mas também pode gerar desconforto e sentimentos contraditórios. É-se avó ou avô, independentemente da nossa escolha, e por vezes a própria designação causa estranheza nas primeiras semanas. Se alguns avós vibram com a notícia da gravidez, muito aguardada e desejada, outros precisam de tempo para se adaptarem à nova situação. Até podem correr para a maternidade ao primeiro sinal, dar saltos e gritos de alegria, mas interiormente debatem-se com um turbilhão de emoções e receios.
Esta resistência tem a ver com o estereótipo de ser avó, com a imagem da velhice que associamos de imediato à condição de ter netos. Mas há uma outra razão, mais subtil, que contribui igualmente para esta inadaptação inicial. «Para além do reconhecimento do seu inevitável processo de envelhecimento, o nascimento de um neto pode conferir aos avós uma sensação de perda, uma espécie de visão de fim de linha: como se o nascimento da criança pudesse significar uma delegação final de responsabilidades», explica o psiquiatra Daniel Sampaio no livro A Razão dos Avós. Não é fácil, subitamente, olharmos para um filho ou uma filha e reconhecermos que já galgou mais um patamar. Que deixou definitivamente de ser criança e entrou, como nós, para o clube dos pais.
Mas em vez de ser um motivo para sentir-se mais velho – o que, aliás, é a mais pura verdade – o convívio com os netos é uma boa forma de rejuvenescer. Pode constituir um objetivo, um  desafio, numa fase em que a rotina já estava instalada. E despertar sentimentos adormecidos e conhecimentos que, de outro modo, estariam longe do seu alcance. Como explico ao longo do livro Avós Precisam-se – A Importância dos laços entre Avós e Netos*, que reúne depoimentos de muitos avós e netos, ilustres e desconhecidos.
Gabriela Oliveira
Jornalista e autora do livro “Avós Precisam-se”