Mães e pais na 1ª pessoa

23 de Abril de 2013

Socorro! Sou a autora…

socorro

Isto de se escrever um livro para mães e futuras mães,
quando não se é médico ou outro profissional experiente,
tem MUIITOOOO que se lhe diga…
Eis que me deparo com um trabalho que me ocupou durante meses
e se condensou em 260 páginas
em todos (mas mesmo todos!!) os cantos de revenda nacionais.
Livrarias, hipermercados, supermercados, papelarias, bombas de gasolina…
You name it!
Depois da euforia, entusiasmo e de uma felicidade incontrolável
começou a subir por mim um sentimento de medo.
De TERROR mesmo!
Não tinha tido tempo de reflectir, de me distanciar,
de o ver com uns olhos diferentes, de quem nunca o conheceu.
Socorro! Sou mãe… não é só o nome que dei a obra, mas a toda uma nova sensação
que me aperta o peito e me deixa sem fôlego.
Agora pior que uma mãe, sou uma mãe pública que se armou ao pingarelho de escrever um livro dirigido a tantas mulheres, numa fase tão delicada e sobre a qual tantos ‘experts’ já tiveram uma palavra a dizer.
ATREVIDA!
Mas as exigências, literária e de conteúdos, são umas meninas a comparar com o que agora passou a viver dentro de mim.
Primeiro, ando em busca da bancada onde ele descansa, analisando sempre o destaque que lhe dão, e aproximo-me com cuidado. Finjo olhar para outro livro, bem juntinho ao meu, que confesso não me lembrar do título, do autor e nem sequer do tema.
Estou tããããão nervosa!!!
Olho de soslaio para uma senhora que folheia o dito…
Sou olhada pela mesma senhora que olha o dito, e que volta a olhar para mim…
Sim, sou eu quem está nessa capa.
Sim, é esse o meu nome, é esse o meu filho, é esse o meu projecto…
É meu! Não! Se quiser é SEU!
Disfarço. Não por me achar a maior, mas porque estou com tanta vergonha que nem sei como reagir.
Riu-me com nervosismo.
E se a senhora não gostar dele?!? (do dito… ) E se afinal este meu filho (o de papel) está fraquito?
Se gosta da capa? Das cores? Das fotografias? Dos temas?
Aiiiiiiii!!!
Antes que a minha cabeça desse cabo de todo um feito que há 2 minutos me enchia a alma,
a minha atenção é chamada para outro lado.
Todos os meus dilemas passaram a ser mais pequenos do que o que se iria passar a seguir…
A minha filha a trepar por uma prateleira,
qual papagaio num poleiro apoiado numa só pata,
do alto dos seus dois anos, preparava-se para atirar, do alto da bancada,
toda uma panóplia de produtos de caros, a pecaminosos de caros, até outros que pouco valiam…
Avanço sobre ela, firme. Retiro-a dali para logo de seguida ela se espojar no chão qual lagartixa a quem cortam o rabo,
mas com SOM.
A birra foi progredindo, progredindo, até atingir um estado de alerta geral por toda a loja
(e tenho dúvidas se pelo Centro Comercial todo).
E AGORA?!
A minha reacção parece estar a ser analisada à velocidade do filme Matrix.  Lentamente, desvio-me das balas. Ou deveria enfrentar o inimigo?
Se ralho é porque ralho e posso parecer má… Se não, sou permissiva e a minha filha uma mimada sem barreiras e educação.
Riu-me ainda mais nervosa e concluo: A partir de agora todas as minhas atitudes enquanto progenitora estão postas em causa.
Se falho, o meu livro é um flop .
É esta a verdade!
E então revejo página a página o que escrevi.
•    Primeiro pânico: Não posso engordar nunca!!! Estão lá os planos nutricionais que devo seguir à risca. Dou o prazo (ideal) de dois anos para que o corpinho ‘amachucado’ da gravidez se recomponha… e esta barriguinha que ainda ostento não está a dar com nada.
•    Segundo pânico: Não posso ter dúvidas!!! Passei a receber mil telefonemas com milhares de dúvidas. Amigas e familiares perguntam-se sobre tudo do gigantesco mundo dos bebés! Hesitar é morrer e dou por mim a desligar o telefonema a dizer: Ligo-te já! Vou estudar esse tema e já te informo!
•    Terceiro pânico: Doenças, quedas, queixas e fases estão proibidas lá em casa. Mimos e birras… são fraquezas!
•    Quarto pânico: Já não posso escrever sem acentos, com erros, com x’s e k’s… A vergonha!!!
E ainda me vou lembrar de mais com o passar do tempo.
Afinal para ajudar outras mães dei-me à morte!
Socorro! Sou autora de um livro de bebés mas no fundo sou só uma simples mãe
com uma ideia perigosa
mas
RECOMPENSANTE.

http://www.ritaferroalvim.com/
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