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Psicologia Clinica

3 de Outubro de 2015

“SOCORRO!! O MONSTRO DO SONO MUDOU-SE PARA MINHA CASA”

monstro do sono

O monstro do sono mudou-se para minha casa muito cedo. Conta a minha mãe que dificilmente adormecia e que quando o fazia dormia por curtos períodos. Na altura o pediatra havia recomendado “um calmante”, que a minha mãe nunca usou porque achava que me ia fazer mal… Um dia, dormi bem e o monstro do sono deu-se por vencido e abandonou o seu esconderijo, na prateleira dos livros lá de casa mas, quando vinham as férias, ele mudava-se de novo lá para casa e ficava à espera da altura melhor para atacar: o início das aulas.

As preferências do monstro do sono, alguns anos volvidos, parecem manter-se… Retira-se para férias durante os meses de verão e volta para o seu esconderijo lá para Setembro, ficando a aguardar o início das aulas para se mostrar de novo.

Durante as férias os dias eram mais longos, a criança deitava-se mais tarde e, como férias são férias, acabava por se levantar mais tarde também.

Contudo, quando Setembro se aproxima, e o monstro do sono começa a fazer-se notar: as birras na hora de ir para a cama e as tentativas para negociar a hora de ir deitar e ficar mais tempo acordado, fazem-se notar e , como consequência, de manhã o monstro do sono quase fecha as pálpebras das crianças e adolescentes, quase consegue vencer a batalha com os pais de mantê-los acordados e despertos para mais um dia que se inicia.

É um facto: o monstro do sono mudou-se lá para casa mas, temos que ser mais astutos que ele para que se afaste e esta é uma luta árdua mas  muito importante.

O sono tem funções específicas na nossa vida como arrumar e filtrar a informação que retivemos durante o dia e criar espaço para apreendermos mais informação. É, ainda, durante o sono que a leptina, responsável pelo apetite é produzida e, por isso, uma noite bem dormida ajuda também a prevenir a obesidade mas não acabam por aqui as funções do sono. É durante o sono que o corpo e o cérebro se desenvolvem e as noites mal dormidas provocam maior desatenção e problemas a nível do comportamento como a impulsividade e a hiperactividade.

As horas que cada criança precisa de dormir podem variar entre si mas, em média, por dia, são:

* dos 3 meses a 12 meses: 12 ou mais horas;

* de 1 ano até 3 anos: 12 a 14 horas;

* dos 3anos aos 5 anos: 11 a 13 horas;

* dos 6 anos aos 13 anos: 9 a 11 horas;

* dos 14 anos aos 17 anos: 8 a 10 horas.

Dada a variabilidade de padrões de sono entre as crianças estes valores são médios contudo, as horas necessárias de sono são aquelas perante as quais, no dia seguinte, a criança se levanta sem dificuldade e sem sono e as que deixaram a criança funcional. Ninguém melhor do que os pais poderá fazer este tipo de avaliação e detectar quando as horas dormidas são insuficientes.

Para dormir bem a criança precisa de aprender bons hábitos de sono. Deixamos algumas dicas que podem ser armas poderosas contra o monstro do sono.

– Perceba qual é o número de horas de sono adequado para o seu filho de acordo com os sinais de sonolência que ele apresenta depois de ter dormido x número de horas. E tendo em conta o valor médio para as crianças da mesma idade. Estabeleça, por isso, uma rotina de sono, que deve ser cumprida.

– Saber identificar os sinais de sono e de cansaço pode revelar-se uma estratégia útil para a criança.

– Estabeleça um ritual de sono. Por exemplo: combine com a criança que antes de ir para a cama irá dispor de 20-30 minutos. Este tempo deverá ser aproveitado para a criança criar uma rotina com actividades pouco estimulantes: Lavar os dentes, vestir o pijama, etc.). Este ritual deve ser respeitado e não negligenciado: as actividades devem desenvolver-se de acordo com a hora que será estipulada e esta, salvo uma ou outra excepção (como no caso dos fins de semana) não deve ser alterada.

– Se a criança insistir em alterar a hora de ir para a cama, não responda as suas solicitações e mantenha-se firme quanto à hora estipulada.

– Incentive a criança a dormir sozinha, promovendo a sua autonomia.

– Se for necessário ajude a criança a acalmar-se. Para isso poderá usar música de relaxamento, exercícios de relaxamento, ou mimos.

– A cama não deve ser local para cumprir um castigo.

– Se, mesmo usando as estratégias propostas de modo assertivo e constante, a criança apresentar sinais de uma noite mal domida, investigue outras causas possíveis para esse facto como: pesadelos nocturnos, movimentos periódicos dos membros, agitação motora, pernas inquietas, insónias, entre outras.

 

E agora, shhh que é hora de ir dormir e organizar nos arquivos a informação que acabou de ler.

 

 

Liliana Freitas Branco

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo da Oficina de Psicologia

* Artigo exclusivo para Barrigas de Amor®

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