Mães e Pais na 1ª Pessoa

Sobre reuniões de pais

Na 4ª feira ao fim do dia tive uma reunião geral de pais na creche que os meus filhos frequentam. Confesso que para mim, uma reunião de pais é um bocado sinónimo de seca. Mas, considero que é importante para os meus filhos, que eu participe, que opine, que esteja a par do que se passa. Só assim posso ter legitimidade para criticar, para avaliar, para sugerir.

Cheguei tarde, a reunião já tinha começado e já havia poucos lugares sentados. Optei por ficar de pé junto à entrada. Do lugar onde estava, tinha visão priviligiada para toda a sala. Debatiam-se diversos assuntos relativos ao funcionamento da instituição. A creche em questão, tem apenas 3 anos de vida, e pertence a uma IPSS. No quadro de crise em que o país se encontra, as IPSS sofrem por redução dos apoios, e isso reflecte-se no que conseguem ou não fazer.

Faz falta construir uma nova sala, para onde, no próximo ano lectivo, poderão transitar os meninos da sala de jardim de infância. Alguns destes meninos já estão pelo 2.º ano consecutivo nesta sala, e caso não seja possível abrir outra sala atempadamente, ficarão sem vaga. Como mãe, apesar de não ser uma situação que me atinja, pois os meus filhos ainda não chegaram a essa sala, fiquei preocupada. Como irmã, porque o Gabriel está nessa sala pelo 2.º ano, fiquei alarmada.

No exterior, existe um espaço enorme, cheio de potencial para brincadeiras de rua. Equipamentos de exterior: nenhuns! Existem alguns brinquedos de exterior [poucos], mas que têm que ser guardados todos os dias no interior do edificio, pois caso contrário são roubados durante a noite. O ideal seria ter brinquedos de exterior fixos. Equipamentos de parque infantil, construções em madeira, desde que dentro dos parâmetros de segurança. Falta também uma zona de ensombramento. O Sol incide na zona exterior na maior parte do dia, e a única forma de poderem brincar na rua, é limitarem-se ao período matinal, até às 10h30 no máximo, e ao fim de dia, depois das 17h.

Estes são só  dois dos “problemas” que foram debatidos. Houve pais que deram sugestões válidas, houve algumas decisões tomadas no sentido de tentar encontrar soluções. Foi criada uma comissão de pais. Fui à reunião, participei, e faço parte da comissão de pais! Desde então, já existe um endereço de email e uma página de facebook criados pela comissão, e já estão agendadas algumas intervenções de pais para ajudar a resolver alguns dos problemas discutidos.

Vi muitos pais interessados, interventivos, e com vontade de arregaçar as mangas e ajudar. Mas também vi muitos que suspiravam com ar desinteressado, que quando foi passada uma folha para recolher contactos para criar uma comissão de pais passaram para a pessoa do lado, que olharam para o relógio enquanto sopravam com ar de desagrado durante toda a reunião.

A esses pais, dirijo este meu desabafo. Não vos parece que será importante para os vossos filhos, que os pais se interessem no que se passa, no local onde passam a maioria das horas do dia? Não seria melhor para os vossos filhos, que a creche que frequentam, tivesse cada vez mais condições, mais apoios, mais valências? Para mim, que acumulo dois trabalhos com duas crianças pequenas, casa e familia… o fim de dia é uma fase preponderante para conseguir manter a rotina minimamente no seu lugar. Preciso de fazer 1001 coisas todos os dias neste período. Também a mim, me trocou as voltas ter que passar quase 2 horas numa reunião ao fim do dia. Mas foi 1 dia! 1 dia! E sim, os meus filhos precisam que eu o faça. Precisam que eu me interesse, que eu ajude, que eu intervenha.

Nesta reunião, tomei consciência de que haviam pais, que estavam presentes na reunião, ou não [não faço ideia quem sejam], que no ano passado, optaram por manter os filhos na creche durante o seu período de férias. Optaram por não passar tempo com os filhos, para irem todo o dia para a praia sózinhos. Levaram as crianças à creche de manhã, e foram-nas buscar ao fim do dia, ainda de pés cheios de areia. Eu, que anseio a toda a hora ter nem que seja um fim de semana sem nada que fazer, em que possa aproveitar os meus filhos, estar com eles, fazer coisas com eles, confesso que fiquei chocada com o que ouvi.

Infelizmente, hoje em dia, “a negligência das crianças tem sido repetidamente identificada como a mais prevalecente forma de mau trato e é o subtipo de mau trato mais relatado e denunciado aos sistemas de proteção de crianças.”

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