Mães e Pais na 1ª Pessoa

Catarina Beato 

Dias de uma Princesa

sobre aceitação [do corpo de grávida, é sobre isso mesmo.]

este é um post em que exponho as minhas fragilidades, aquelas de que me custa mais falar, aquelas que tenho vergonha até de sentir. quando fiquei grávida pensei que, desta vez, fazendo desporto e comendo bem, seria apenas uma barriga elegante, num corpo normal. foram assim as primeiras semanas, depois o meu corpo cresceu. nas outras gravidezes deu jeito ter uma desculpa para um rabo grande, mas alargar as ancas não apenas uma coisa da gordura, é a  resposta do meu corpo ao novo ser que nela habita. reagi muito mal, dormi mal e acordei angustiada. eu tentei ser um exemplo na história em que passei a cuidar de mim, o que seria agora voltando a ser grande? olhava-me ao espelho e odiava. via o corpo como antes. via as formas mais arredondadas e as ancas cada vez mais largas. cheguei a Londres na sexta-feira [aquela que dizem ser Santa] e tive a certeza que já sentia o bebé. pus a mão na barriga, do largo esquerdo, onde o sinto, e pedi desculpa por esta cabeça tonta. o meu corpo preparou-se para te receber, para daqui a uns meses te parir sem nada para além da minha força, para te dar alimento enquanto precisares de mim. voltará a ter o aspecto de que gosto quando for tempo disso, agora terá o aspecto de grávida. e eu peço-te desculpa [e antes disso peço-me desculpa] por ser parva nesta luta com o corpo, que nunca está completamente ganha, e às vezes me leva para pensamentos que não fazem sentido. aceito e gosto [muito] da mulher que sou, com esta vida dentro de mim.

gostava que as mulheres aprendessem com algum exemplos mais mediáticos que podemos continuar a ter actividade física e uma vida normal durante uma gravidez [se a saúde assim permitir] mas nem todas conseguiremos ser apenas uma barriguinha sexy por muito cuidado que tenhamos. e também podemos ser lindas assim.

 

Catarina Beato

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