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Ginecologia/Obstetrícia

7 de Novembro de 2014

Sintomas da gravidez: saiba quais são normais e quais merecem atenção

A gestação traz uma série de mudanças e, consequentemente, de sintomas. Mas isso não quer dizer que esteja doente. Porém, não custa nada aprender a distinguir um mal-estar típico dessa fase de uma complicação inesperada

Pregnant woman

1. Falta de ar
Após o sexto mês, o sintoma tende intensificar-se, pois o útero empurra o intestino contra o diafragma, dificultando a respiração. Quando a sensação é leve e suportável, é considerada normal e faz parte da adaptação do corpo. O alívio é obtido com práticas que reeduquem a forma de respirar, como o ioga. Não é comum a gestante ficar incomodada em repouso. Nesse caso, é preciso avaliação médica para descartar doenças cardiológicas ou respiratórias, como asma e pneumonia.

2. Dor nas costas
Há mais de 2.500 anos, o médico grego Hipócrates já tinha contado que as gestantes sentiam dores nas costas. Os médicos entrevistados pela CRESCER estimam que 50% das grávidas tenham dor lombar devido à mudança da postura, por causa do aumento da barriga: o útero comprime as vértebras, o músculo das costas contrai-se e o nervo ciático pode ser pressionado. Hidroginástica, acupuntura e alongamentos antes de dormir ajudam a aliviar a dor. Em contrapartida, o ganho rápido de peso e o sobrepeso agravamo quadro. Dor persistente ou posterior a uma queda requer avaliação médica.

3. Dor de cabeça
Está relacionada à tensão da musculatura do pescoço e pode acontecer diante de situações de stress. Portanto, evitá-las é uma boa forma de prevenção. Alongamento e relaxamento do pescoço, assim como a acupuntura, aliviam a dor. O sintoma merece investigação quando é intenso e frequente. Caso venha acompanhado de pressão alta e alterações visuais, como visão turva, deve-se procurar socorro médico imediato, pois pode tratar-se de eclâmpsia – complicação em que há um aumento súbito e perigoso da pressão arterial (se não leu na edição anterior, confira no site da CRESCER). E nada de engolir os comprimidos de sempre, por conta própria.
Nessa fase, podem prejudicá-la a si e ao bebé.

4. Sangramento
Nunca deve ser negligenciado e deve ser avaliado por um médico, independentemente da quantidade de sangue e da semana gestacional. Só um especialista poderá dizer qual o procedimento a seguir. Em geral, poucas gotas, de cor escura, não representam problema – pode tratar-se apenas de uma ferida no colo do útero ou um vaso, que sangra e cessa espontaneamente. Uma perda de sangue vermelho vivo e com coágulos é motivo para procurar ajuda com urgência. Talvez a placenta esteja a descolar-se e, quanto antes o quadro for diagnosticado,melhor para o feto. Com os medicamentos corretos, a gestação pode seguir normalmente. A pior das hipóteses é o aborto espontâneo: acontece na fase inicial de 15% a 20% das gestações, segundo estatísticas de pesquisas científicas.

5. Cólicas
Não se assuste se sentir cólicas abdominais no primeiro trimestre. São normais, especialmente na primeira gestação, e representam uma adaptação do útero ao crescimento fetal. Uma cólica leve e suportável, sem sangramento, não é sinal de perigo, e desaparece entre a oitava e a décima semana. Práticas simples e relaxantes, como banho morno, uso de bolsa de água quente e alongamento melhoram a dor. Mas, atenção: se a sensação dolorosa for persistente e estiver associada a sangramento vaginal, a mulher deve procurar ser assistida imediatamente. O médico pedirá exames para avaliar o bem-estar fetal. Às vezes, repouso e medicamento (com prescrição do profissional, é claro) resolvem o problema.

6. Prisão de ventre
Ir à casa de banho durante a gravidez pode ser difícil, já que a constipação intestinal é mais um sintoma decorrente da progesterona. Estudos científicos revelam a ocorrência em até 38% das grávidas. Ingestão de líquidos e de alimentos integrais, ricos em fibras, melhora a situação. Se as fezes estiverem em formato de bolinhas, é sinal de que elas atingiram o grau máximo de ressecamento, e vale procurar ajuda médica para evitar complicações. Caso o esforço para evacuar seja excessivo, pode chegar ao ponto de deflagrar hemorroidas (inflamação de veias do intestino), que geram dor e desconforto. Outro caso grave é a formação do fecaloma – endurecimento do bolo fecal, que deve ser retirado no hospital, com ajuda de supositório.

7. Enjoo
Extremamente comum, o enjoo costuma atormentar as mulheres no primeiro trimestre de gestação. Indica que a placenta está a produzir altos níveis de hormonas, o que é bom sinal. Pesquisas revelam que 80% das grávidas têm o sintoma. Normalmente, manifesta-se pela manhã, no período de jejum. A dica é comer alguma coisa sólido, logo ao acordar, alimentar-se a cada três horas, ao longo do dia. O quadro preocupa quando a gestante vomita muito e não consegue alimentar-se (trata-se da chamada hiperemese gravídica, que representa risco de desnutrição e desidratação). Enjoo com febre é outro sinal de alerta, porque pode estar por trás de uma apendicite. Por fim, se estiver associado à dor de cabeça, é preciso investigar a possibilidade de ser meningite.

* Fontes: Alessandra Bedin Ciminelli Rubino, ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Fulvio Baso Filho, ginecologista do Hospital e Maternidade São Luiz (SP); Waldemir Rezende, ginecologista, obstetra e mastologista do Hospital das Clínicas (SP) 

Fonte | Revista Crescer