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Psicologia

3 de Fevereiro de 2015

SEXUALIDADE NA GRAVIDEZ

sexualidade na gravidez

“Muitos fatores para além da biologia da gestação intervêm para determinar os padrões do comportamento sexual durante a gravidez. A maneira como a mulher sente a maternidade, a qualidade (ou ausência) do seu casamento, expectativas culturais, a atitude sexual pré-existente e outras considerações individuais são, sem dúvida, da maior importância. A presença de complicações médicas na grávida ou a preocupação com o aborto ou complicações genéticas do feto, influenciarão também o comportamento sexual.”

(Masters & Johnson, 1966)

Ao falar da sexualidade na gravidez é necessário ter em consideração que podem existir alterações devido às próprias mudanças fisiológicas e psicológicas, características de cada um dos trimestres. Por outro lado, o modo como o casal vivencia a sua sexualidade é condicionada pela individualidade de cada um dos parceiros e pelo seu contexto social, que por sua vez é reflexo de um conjunto de crenças, tradições e mitos.

Uma vez que durante a gestação, os órgãos genitais e os seios vão ser os alvos prediletos das hormonas, e sendo estes também os alvos preferenciais das respostas sexuais, as alterações ao nível da sexualidade na gravidez acabam por ser inevitáveis e compreensíveis. Muitas outras estruturas mudam, desde formas que se arredondam até orifícios que se alargam, e tudo isto pode ter um efeito positivo ou negativo no relacionamento íntimo do casal.

1º trimestre (0 – 12 semanas)

Esta fase é caracterizada pelo aumento e rigidez das mamas, tensão vaginal, náuseas e vómitos, cansaço e enjoos, todos estes fatores justificam a diminuição do desejo e da resposta sexual.

2º trimestre (13 – 27 semanas)

O segundo trimestre é um período de calmaria, mais cómodo e confortável para a mulher. Há um aumento da vascularização e ingurgitamento das mamas, dos grandes lábios e da vagina, que fazem aumentar a tensão sexual, facilitando a capacidade orgástica, além disso, o desconforto pelo excesso de tensão observada no primeiro trimestre é atenuado. Algumas mulheres descrevem uma melhoria significativa nas relações sexuais nesta fase.

3º Trimestre (28 – 40 semanas)

Este trimestre é o que apresenta mais diferenças de caso para caso. Certas mulheres continuarão a manifestar um interesse aumentado pela sexualidade, enquanto na maioria dos casos nota-se uma nítida redução das relações sexuais em relação ao segundo trimestre. De realçar que nesta fase da gestação o abdómen tem um maior peso e volume, além de que surge a azia, dores musculares e possível saída de leite, provocada pela excitação e/ou pelas fortes contrações uterinas após o orgasmo. De salientar que nesta fase a líbido mantém-se elevada, devido à abundante lubrificação vaginal e ao aumento da pressão pélvica do útero que aumenta o tempo de resolução, aumentando o orgasmo.

Importa salientar que há alguns fatores que têm impacto sobre o desejo sexual, uns que vão sendo constantes ao longo da gravidez, outros que são mais frequentes no terceiro trimestre, entre os quais se podem destacar a autoimagem corporal, o medo de magoar o bebé, assim como o tamanho do abdómen da mulher que pode causar desconforto em determinadas posições sexuais, por exemplo, na posição de missionário.

Em suma, a sexualidade na gravidez é vivida de forma diferente pelos casais. É importante ter em consideração que as várias alterações emocionais, fisiológicas, hormonais e psicológicas podem fazer com que seja necessário alterar padrões e hábitos sexuais. Dependendo do estado e da saúde da grávida, pode haver fases em que seja importante parar com a penetração e seja necessário recorrer a outras formas de estimulação sexual, tal como masturbação, sexo oral ou anal. Outras mulheres necessitam apenas de uma maior proximidade íntima e uma maior atenção por parte do parceiro. É fundamental que os dois vão comunicando para que esta fase possa ser vivida da melhor forma por ambos.

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Marta Cuntim

Psicóloga Clínica

Consulta de Sexologia

Oficina de Psicologia