Mães e Pais na 1ª Pessoa

Mónica Santana Lopes 

A Mulher é que Manda

Seremos bons exemplos para os nossos filhos?

Olá, olá. Ando cansada e nestes últimos tempos tenho saído mais tarde do escritório. Hoje quando vinha para casa ocorreu-me algo que me tem vindo a preocupar.

Em teoria nós mães, pais, temos de ser bons exemplos para os nossos filhos. Não basta dizermos o que têm, ou não, de fazer. Devemos invariavelmente fazer bem para que nos tenham como bom modelo e nos possam seguir em tudo o que são as nossas melhores qualidades. Acho que isto todas sabemos.Mas a responsabilidade aumenta quando não estamos a maioria do nosso tempo com as pessoas que pusemos no mundo.

Se fizermos as contas, durante um dia normal de semana, o período de qualidade gozado entre pais e filhos reduz-se a pouco mais de duas ou três horas, principalmente quando são pequenos pois deitam-se mais cedo. E, para complicar a coisa, neste ínfimo período ainda temos tarefas de casa a cumprir e quase por regra encontramo-nos estafadas.

Por vezes, com muita pena minha, por mais que puxe conversa com as minhas piolhas (de 6 e 8 anos) também há dias em que pouco lhes apetece contar, ou querem ver desenhos animados ou têm de fazer trabalhos de casa, ou… Então e o tal exemplo que temos mesmo de passar? Será só ao fim de semana? Chegará o passado durante a semana?

No meio do trânsito, a tentar entrar em Cascais, comecei a debitar os bons exemplos que realmente tenho passado e encontrei vários que não são assim tão bons.

1 – Como doces e porcarias à frente delas ou quando vou almoçar fora ao fim de semana, acabo por me desforrar das refeições pouco calóricas dos dias de trabalho e vingo-me bem em frente aos seus pequeninos olhos. Com a fruta e a sopa é igual, mando-as comer mas comigo disfarço… Agora estou numa dieta saudável, mas nem sempre foi assim. Péssimo exemplo!

2 – Fumo. Durante a semana elas nem reparam. Mas ao fim de semana, há sempre um café numa esplanada ou um cigarro puxado na varanda para arrematar um jantar. Errado!

3 –  Não contem a ninguém mas eu ao fim de semana nem sempre asseguro a casa impecável. Aproveito mais para descansar do que propriamente para arrumar, salvo rara excepção. Mau exemplo!

4 – Elas já têm alguns toques pirosos, sempre preocupadas com o cabelo ou com as roupas que vestem e por mais que eu pense que é por causa dos programas de televisão ou da influência das amigas, não é bem assim. Sou eu que lhes passo essas preocupações ainda descabidas para estas idades. É o pintar as unhas, são as tranças apinocadas, eram os lacinhos que lhes adorava pôr quando eram mais pequenas, são os vestidinhos com que as adorei ver… tudo coisas que na realidade não lhes acrescentam ou acrescentaram felicidade, são fúteis e proporcionadas pela vossa blogger.

5 – As escolhas dos passeios de férias são muitas vezes lúdicas mas podiam ser mais pedagógicas. Tenho por regra tentar que estejam sempre bem dispostas mas sei que há muitos museus, monumentos e exposições onde já as poderia ter levado, mesmo que não lhes fosse fácil, a principio, aprenderem a apreciar. E até a escolha dos próprios desenhos animados ou destas séries que por vezes as hipnotizam, eu me rendo por parvoíce ou preguicite. As Violettas e afins… não lhes oferecem nada de bom mas elas pedem tanto que levianamente acabo por dizer que sim. Rong!

6 – O ajudar nas tarefas de casa deveria ser obrigatório mas como é tão mais fácil ser eu a fazer, ou por ser mais rápido ou por estar com menos paciência para ensinar, acabo muitas vezes por não as educar nessas disciplina. Podia explicar como se fazem e depois ser exigente nesse sentido e sei que seria construtivo. Mas confesso-vos que opto algumas vezes por fazer sozinha em vez de partilhar certas obrigações. (até com o meu marido erro desta maneira ;()

Resumindo, são tudo coisas que elas não deveriam imitar e que quando forem mães não deveriam passar aos seus filhos.

Depois há o lado bom, onde entram os se faz favor e os obrigados, o levantar quando chega alguém mais velho, o sentido de honestidade e de trabalho, o esforçar-me para ser boa mãe, profissional e mulher ao mesmo tempo. Etc, etc. Exemplos que acabo por ir passando aos bocadinhos mas que não sei até que ponto é que consigo mesmo que elas os entranhem nas suas personalidades. Aliás, tenho mesmo muito medo que o pouco tempo que passe com elas seja já por si um mau exemplo e ineficaz para a responsabilidade de mãe que assumi no dia em que nasceram. Não sei se também vos acontece mas estas coisas assustam-me. Pensar que não sou perfeita e que no fundo elas mereciam mais e melhor acaba por me arrepiar um pouco (pela negativa).

Desculpem este desabafo. Agora, já em casa, decidi optar por assumir que não sou perfeita e que os melhores exemplos são mais do que os maus. Porque se for exigente demais comigo mesma acabarei por nunca estar descansada e não conseguirei “curtir” minimamente esta aventura de ser mãe pois estarei em constante auto-pressão. Será egoísmo meu? Desculpas para me sentir melhor? Não sei. Só espero que corra tudo bem…

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