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Coaching Parental

8 de Maio de 2015

Será que os pais partilham demasiado sobre os seus filhos nas redes sociais?

pais redes sociais

Compartilhar as alegrias e os desafios da paternidade e documentar a vida das crianças publicamente nas variadas redes sociais tornou-se uma norma social, porém quais são os benefícios e as desvantagens? Quando se cruzam as fronteiras entre vida pública e privada?

Uma investigação realizada na University of Michigan Health System tentou encontrar respostas com uma amostra de pais de crianças entre 0-4 anos questionando sobre a partilha de informação dos pais nas redes sociais.

Nesta investigação concluiu-se que cerca de 72% dos progenitores afirma que as redes sociais os fazem sentir menos sozinhos, 67% por cento dos pais disseram que usam as redes sociais para obterem conselhos de outros pais mais experientes e 62% afirmam que os ajuda a preocuparem-se menos. Metade das mães e um terço dos pais discutem sobre a saúde da criança e sobre parentalidade, sendo os temas mais comuns: levar as crianças para a cama, nutrição e dicas de alimentação, disciplina, creche/infantário e problemas de comportamento.

A crescente sensibilização para as questões de segurança na internet levou a uma reflexão acerca de violações de informações privadas que poderiam colocar as crianças em risco. Cerca de dois terços dos pais revelaram estar preocupados com o facto de alguém ter acesso a informações privadas ou compartilhar fotos dos seus filhos. Três quartos dos pais entrevistados também relataram situações de outros progenitores que compartilham histórias embaraçosas, dão informações que possam identificar a localização da criança, ou publicam fotos inapropriadas.

Muitos pais aplicam configurações de privacidade para controlar quem pode ver as suas informações pessoais, no entanto, as configurações de privacidade não são bem compreendidas e utilizadas por todos os usuários. Além disso, as políticas de privacidade de redes sociais mudam, pelo que nada tem garantia de privacidade no futuro.

Por um lado, como benefícios do uso de redes sociais podemos identificar: a possibilidade de comunicação sobre as alegrias e desafios da parentalidade, partilha de fotos e acontecimentos com familiares e amigos distantes, procura e partilha de conselhos, opiniões e experiências em torno de um tema específico, sentindo que não estão sozinhos relativamente às preocupações parentais.

Por outro lado, oversharing pode representar riscos de segurança e privacidade para as crianças. Alerta-se para um fenómeno chamado “rapto digital” no qual estranhos “roubam” fotos dos seus filhos online e re-compartilham-nas como se os filhos fossem deles próprios. Adicionalmente, há a possibilidade de quando o filho for mais crescido, se possa envergonhar do que foi publicado nas redes sociais a seu respeito. Mais, envolvendo crianças mais velhas, existem casos em que as fotos se tornam alvo de piadas cruéis e cyberbullying.

As redes sociais oferecem aos pais de hoje uma ferramenta útil e muitos reconhecem potenciais armadilhas da partilha de informação sobre os seus filhos. No entanto, a linha entre partilhar e partilhar em demasia é muito ténue. Estarão alguns pais a ir longe demais ao criar uma identidade digital para os seus filhos?

Fonte: C. S. Mott Children’s Hospital National Poll on Children’s Health

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica – Mestrado Integrado em Psicologia (FPCE-UC)

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia

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