Mães e Pais na 1ª Pessoa

Rita Mendes 

Barriga Mendinha

RODRIGO PARTIU E COM ELE TANTOS CORAÇÕES SE PARTIRAM POR ELE ;(

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Até há dois dias, falar do Rodrigo era falar de luta, de inocencia, de emoção. De esperança. Cada vez que pensava nele pensava também numa mãe incansável e corajosa como ele. Cada vez que acompanhava a sua história, sabia que ninguém é imortal, mas que os meninos-criança como ele , têm uma capacidade que os grandes não têm… que é a de se centrar no dia a dia, que é a de viver “o agora”, que é a de pedir a Deus, sem no fundo, saber muito bem que o está a fazer. Porque são genuínos, doces e permeáveis às coisas boas, mais do que às más. E talvez por isso, acreditava que o impossível se tornaria possível…

Mas os dias passaram. E a espera também. Mas o otimismo e a energia dos que por eles “torciam” e rezavam, não chegaram. Mas o seu corpinho de criança-ser humano real, feito de carne, orgãos, água e ossos não resistiu à brutalidade de umas células maldosas que, não se entende porquê… começavam a assambarcar esse seu templo. E o Rodrigo acabou de se ir embora.

 

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Foi-se embora, deixando todos boqueabertos, deixando todos admirados, porque acho que todos acreditavam efetivamente num desfecho feliz para este menino e para a sua família. E porque, na sua página, onde íamos acompanhando todos os desenvolvimentos da doença, dos tratamentos e da condição deste agora anjinho… sentiamos, que apesar da dor (física e emocional) efetivamente vivida, existia uma positividade, que também a nós nos dava força.

A história do Rodrigo, acabava quase por ser uma “bandeira”, um símbolo para outros meninos que partilham a mesma luta e que não conseguiram ter tanta visibilidade mediática, porque com ela, nós, pais de filhos saudáveis, sentiamos uma obrigação não imposta, mas muito sincera e sentida de agradecer ao Universo, não termos que passar pelo mesmo.

Sim, estas doenças, são uma roletta russa, e manter uma família saudável é sem dúvida o Mais importante… Pode não haver dinheiro, podemos sofrer traumas psicológicos, ter problemas relacionais.. e outros que tais, mas a verdade, e desculpem-me quem nesse género de situação se sente a “morrer”, definhar, deprimir… a verdade, é que de uma forma ou outra, tudo se pode eventualmente resolver. Mas a saúde, a saúde não. Perto dela, tudo o resto são pormenores. E perto da eventualidade do sofrimento ou morte de um filho… Meu Deus, nem consigo imaginar, como tudo o resto vira supérfulo perto de uma sombra com esse peso esmagador…

Hoje… a luta, a inocencia, a emoção, a esperança transformaram-se em tristeza, sensação de impotência, perante um Universo que injusta e aleatóriamente escolheu esta pureza de menino para roubar aos pais, à vida, ao seu próprio futuro, que não chegou a existir….

Hoje, o otimismo dá lugar à incompreensão e à revolta, dando vontade de perguntar aos Céus, algumas questões tornadas clichet, mas que no fundo o são, simplesmente por fazerem tanto sentido para todos os seres humanos com bom coração e que para isto não encontram respostas : ” Porquê? Porquê tanta gente maldosa, “suja”, desonesta, incorrecta a viver anos e anos a fio e crianças puras como o “nosso” Rodrigo, se vão assim num misto tão grande de sofrimento e sensação de tempo de vida interrompida, quase sem ter começado?”..

 

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Sem resposta, com o coração nas mãos, com o pensamento no sofrimento desta mãe-heroína ( e outros pais-heróis, porque sim, não consigo esquecer que os há por aí sem uma história com tanta visibilidade) que “hipotecou” a vida para oferecer ao seu filho, todo o tempo e esperança possível… faço aqui, no meu Barriga Mendinha, a singela e possível homenagem ao Rodrigo e aos outros meninos que passam por doenças crónicas, terminais, dolorosas.

Faço também uma vénia a quem, ao longo deste processo e devido a este caso, se tornou dador de medula, algo que eu própria ando sempre a dizer que farei “para amanhã”… É que o Amanhã, para nós, na rotina e azáfama da vida, parece fazer todo o sentido, mas no progresso dos minutos contados destes doentes que aguardam uma compatililidade… pode fazer a diferença… E o peso, agora ainda é maior :(

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