Mães e Pais na 1ª Pessoa

Catarina Beato 

Dias de uma Princesa

[respeitem todos os estados civis]

Acredito que qualquer solteiro com mais de 35 anos estaria disposto a pagar por um serviço de encontros com escolha rigorosa e filtragem apertada de outras pessoas disponíveis para encontros sérios. 

Existem agências matrimoniais (teríamos que lhe trocar o nome) com bastante dimensão e fama noutros países; existem empresas de organização de encontros, em formatos diversos, com sucesso ao nível da adesão e – espero – resultados; existe, pelo menos, a sensação de que sair à noite para tomar um copo, sem ser em casal, não é uma estratégia de engate.

Em Portugal temos, primeiro que tudo, o problema do preconceito. Entenda-se que comparo Portugal com outros países europeus desenvolvidos e não com um mundo onde ainda existem aberrações como casamentos combinados que envolvem meninas/crianças, ou países onde as menores nem sequer são tratadas como pessoas.

Por cá, procurar um serviço que “junte” solteiros é visto como um ato de desespero, ou como uma forma fácil de encontrar sexo grátis. Por outro lado, os poucos mecanismos existentes com o objetivo de apresentar pessoas disponíveis estão repletos de pessoas comprometidas e casadas. Facto grave e que mostra o nosso subdesenvolvimento mental e que estraga a base da ideia, levando-me a repetir a necessidade de um serviço destes ter uma filtragem apertada.

Como escrevia a personagem fictícia A Gaja, temos que nos habituar à ideia de que um date (estrangeirismos à parte, um encontro) é um momento positivo em que conhecemos uma pessoa nova. Acrescentaria que melhoramos as nossas skills (também sei usar estrangeirismos) para novos encontros, mas até para apresentações em público, futuras entrevistas de emprego. É assim uma terapia de auto confiança contra a timidez.

Fica, então, a sugestão de negócio. E o pedido de respeito por todos os estados civis.

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