Mães e Pais na 1ª Pessoa

Inês Simões 

Eu, Mãe

Razão nº 28.364.538 para se ter filhos

Para renovar o nosso sistema imunitário.

Quando eu era miúda lembro-me de ficar doente algumas vezes, uma vez aqui, uns meses depois outra vez, no Inverno mais, no Verão raramente. Desde a adolescência felizmente tornou-se cada vez mais raro, felizmente…
Mas de certeza devo ter estado mais vezes doente quando teria a idade do Pedro, naquela idade normal em que se apanham as “doenças infantis”. E é bom os miúdos apanharem essas doenças, para reforçar os seus sistemas imunitários, para as suas defesas se tornarem mais resistentes, para crescerem fortes e saudáveis. É normal, principalmente para a idade. Não é?

Pois, o que eu nunca pensei foi que as “doenças infantis” e as suas “imunidades naturais” se tornassem, na minha década de trinta anos, nuns tremendos e implacáveis “reforços de vacinas”. E que reforços!
Nunca estive tão doente e tantas vezes seguidas, como desde que o puto entrou nas nossas vidas! E o marido pode dizer exactamente o mesmo, se não pior, que acho que ele ainda tem sofrido mais!
Sinto que desde que o Pedro entrou para o colégio estamos sempre de molho, eu e o pai!
Se não estamos com gripe é com constipação, se não é com malvadas gastroenterites, é com viroses, andamos sempre nisto!
Será que ao menos nos serve para estarmos finos para quando chegar o próximo miúdo nada mais nos abalar? Será que depois destes dois primeiros anos do Pedro, nos próximos trinta anos já nada nos toca? É que os avós pelos vistos também me parece que já levaram uns reforços secundários, nenhuma geração sai ilesa…

E é que ataca com uma violência proporcional ao nosso tamanho! Aquilo que para o Pedro é um nariz a escorrer, em mim é caixão à cova. A virose que deixa o Pedro com febre mas ainda assim espevitado, prega o paizão à cama como um prego. O que no Pedro é uma fralda que vaza, aqui nos pais, deus me livre…

Ao menos isso, antes prefiro ficar doente eu do que o P, nada me parte mais o coração, mas mói-me muito o corpo andar sempre aos caídos de doente… Eu tenho um filho para criar, ele não me pode pôr doente, tenha santa paciência, oh Mãe Natureza e suas “imunidades naturais”!

Eu dou-lhe as imunidades naturais… Venham a mim as vitaminas, ou aspirinas ou as mezinhas de bruxas, já estou por tudo!

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