Atualidade

12 de Janeiro de 2015

Rapazes anoréticos: os grandes esquecidos

Habitualmente conotada com as raparigas, a anorexia também afeta o sexo masculino e cerca de dez por cento dos casos acontecem com rapazes, sendo esta uma tendência em crescimento. No entanto, enquanto que para elas o desejo que centra a perturbação é ficarem mais magras, para eles o enfoque é o ganho de massa muscular, segundo aponta um estudo canadiano.

Conduzido pela Universidade de Montreal, o trabalho debruçou-se sobre 24 investigações conduzidas sobre a anorexia entre 1994 e 2011. Os estudos, em conjunto, englobavam 279 pacientes de anorexia do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 11 e os 36 anos, perfazendo uma média de 18 anos de idade. Todos tinham sido hospitalizados devido a malnutrição grave.

Foram apontadas as características dos pacientes analisados em alguns dos estudos. Relativamente ao peso, metade afirmava ter receio de aumentar de peso e de se tornar gorda. Quase o mesmo número dizia estar descontente com o seu peso na altura e que desejava perder mais peso.

Cerca de um terço dos pacientes foi questionado relativamente à imagem que possuía sobre o seu próprio corpo. Quase dois terços declararam estar insatisfeitos com o seu corpo devido ao facto de desejarem aumentar a sua massa muscular e diminuir a massa gorda.

Relativamente a problemas com a saúde mental dos 279 homens e rapazes em análise, foi possível analisar um quarto dos pacientes. Destes, cerca de 25 por cento apresentava problemas de depressão, 18 por cento tinha uma doença obsessiva e 11 por cento consumia substâncias ilegais.

Os resultados do estudo demonstraram uma grande diferença nos sexos. As mulheres anoréticas focalizam-se demasiado no controlo do que comem de forma a ficarem cada vez mais magras. Os homens focalizam-se em demasia no exercício em excesso e no ganho de massa muscular. No entanto, entanto isto é um paradoxo pois quanto mais magros ficam, menos músculo têm. Uma coisa é certa em ambos os sexos é notória uma autoimagem negativa do corpo.

Dominique Meilleur, professora de Psicologia daquela universidade e autora principal do estudo, afirma que “o problema é que este assunto não foi estudado em homens; Por isso, nem sabemos se os sintomas que utilizámos para medir a anorexia são apropriados para os homens pois são desenvolvidos principalmente para mulheres”.

Fonte | Pais&Filhos