Mães e Pais na 1ª Pessoa

Lénia Rufino 

Not so fast

Raparigas Vs Rapazes

Durante muitos anos achei que só ia ser mãe de meninas. Talvez por vir de uma família matriarcal, talvez por ter vivido sempre rodeada de avós e tias e primas com personalidades fortes, achei que ia ter a casa em tons de rosa. Por ingenuidade e por tontice (assumidas!), nunca me “preparei” psicologicamente para a eventualidade de vir a ter um rapaz.
Até ao dia em que, numa ecografia, me disseram que tinham quase a certeza de ser um rapaz. Eu já tinha uma filha cá fora e estava certa de que vinha a caminho a segunda. Claro que fui apanhada na curva. E fiquei boquiaberta e meio sem reacção… O meu marido ficou, vá, zangado comigo. E com razão, diga-se. Está bem que eu estava grávida e tinha o desconto das hormonas a alucinar. Mas aquela reacção foi tonta e escusada.
E qual é que era o meu problema com isto de ter um rapaz? Uma coisa simples: eu não sabia – nem fazia sequer ideia – como se educa um rapaz. Talvez por não ter irmãos, nunca me senti muito à vontade com o universo masculino. Não sabia como iria brincar com ele, não sabia como ele ia reagir, não sabia nada! E “paniquei”.
Claro que me esqueci do básico: na verdade, são eles que nos ensinam a nós.
O rapaz lá chegou, lindo e saudável, e o processo foi natural. Em bebé, tratar de um rapaz é exactamente igual a tratar de uma rapariga. Depois, conforme foi crescendo e começando a brincar, não pensei mais no assunto. Trato-os de maneira igual, educo-os da mesma forma, ensino-lhes o mesmo. Claro que, por ter tido uma rapariga primeiro, a realidade lá em casa já era muito pink: brinquedos “de menina”, o quarto pintado com muito cor-de-rosa, muita Hello Kitty por lá estacionada. E o miúdo toda a vida conviveu com aquilo – talvez por isso brinque tanto com carrinhos como com bonecas; brinca aos almoços, brinca aos médicos, brinca com as bonecas da irmã… e no minuto seguinte anda aos pontapés a uma bola, faz corridas de carros com a irmã ou andam a brincar com animais da selva. Ele não liga muito aos típicos brinquedos de menino (Beyblades e quejandos) porque nem sequer há disso em casa. Vive mais no mundo dela do que ela no dele.
E a minha dúvida inicial, “como raio vou eu educar um rapaz?”, já se perdeu no espaço…

Blog Not So Fast

STAMP produtos BC