Espaço Família | O nosso 1º Filho

Amamentação

2 de Fevereiro de 2015

Que sei eu sobre amamentação?

Breastfeeding. Young mother and 1.5 month baby

Eu, que estou grávida e espero o meu primeiro filho? Eu, para quem a experiência de amamentar foi de curta duração, porque me disseram que o meu leite era fraco? Eu, que fiquei com os mamilos a sangrar ainda na maternidade? Eu a quem sugeriram dar leite artificial porque o meu leite não chegava?

Claro que toda a gente sabe muito sobre amamentação: amigos, familiares, conhecidos e até desconhecidos vão opinar de forma sentenciosa mal a criança tenha nascido.

Na internet não falta informação, mas muitas vezes é contraditória e baseada apenas em experiências pessoais.

Mas, eu que sou a mãe, o que é realmente importante que eu saiba? E eu que sou o pai, qual é o meu papel?

Antes de mais, parabéns por ter pensado em amamentação. Ela é não só a forma “biologicamente normal” de alimentar o seu bebé, mas também vai ajudá-la a si “a ser mãe”. Não há praticamente nada que influencie física e emocionalmente toda a vida do seu bebé, tanto como a amamentação.

Vamos brevemente ver algumas das razões:

– Amamentar, mesmo durante poucos dias, reduz os problemas do pós-parto e oferece aos rins, intestinos e fígado do seu bebé um começo muito mais saudável. O colostro (primeiro leite) contém uma enorme quantidade de defesas que protegem o bebé nos primeiros meses de vida. É uma imunidade feita especificamente para cada bebé e não pode ser colocada em nenhuma lata de leite em pó.

– Tomar somente o leite materno durante os primeiros 6 meses assegura que o bebé tenha um sistema imunitário normal e protege-o contra muitas doenças que são mais frequentes se o bebé for alimentado com leite artificial. Isso significa um bebé mais feliz e menos dias de falta ao trabalho.

– Os bebés amamentados usam a mama tanto para conforto e segurança como para nutrição, pelo que tendem a chorar menos.

– Quanto mais tempo amamentar, melhor o QI e a saúde do seu bebé incluindo doenças a longo prazo como cancros, diabetes, doenças cardíacas e obesidade.

– Se amamentar em exclusivo a sua fertilidade e menstruação provavelmente, ficarão adiadas por seis meses.

– É mais provável perder peso sem dieta se estiver a amamentar.

– A alimentação com leite artificial gasta mais tempo, esforço e dinheiro do que a amamentação.

– Os bebés alimentados com leite artificial tendem a ter mais eczema, asma e outras formas de alergia.

– Muitas mulheres gostariam de ter amamentado. Muito poucas mães que amamentam gostariam de ter dado leite artificial.

– Ao tornar-se mãe, a mulher adquire um papel especial na família. Entender e aceitar tanto as responsabilidades como as recompensas que esse papel traz é facilitado e aprofundado quando a mãe cuida e responde ao seu bebé através da amamentação.

É sobre amamentação que lhes vamos falar, regularmente, a partir de agora e esperamos que por muitos meses, porque significará que o vosso interesse persiste. Quinzenalmente iremos abordar um tema diferente. Nós vamos sugerindo alguns, mas gostaríamos de ter a vossa comparticipação, dizendo-nos o que desejariam ver tratado.

Também queríamos que fosse um espaço com participação dos leitores. Assim, pedíamos que nos enviassem pequenas histórias sobre amamentação que gostassem de partilhar connosco.

Vou dar o pontapé de saída:

Estar grávida é para a maior parte das mulheres um motivo de grande felicidade, e para mim não foi exceção. Apesar do marido ausente cinco em cada sete dias da semana por motivos profissionais, mesmo com uma dor ciática que me fazia coxear, eu estava imensamente feliz. Recordo-me do dia em que senti a bebé mexer pela primeira vez, assinalando a realidade da sua presença em mim.

Entrei em trabalho de parto espontâneo às 39 semanas. Fui cedo para a maternidade, soube-o depois, mas achava que já tinha muitas contrações regulares. E efetivamente internaram-me.

Porque não havia quartos disponíveis no bloco de partos, eu e várias grávidas fomos ficando sentadas em cadeiras no corredor. Pelo menos podíamos deambular enquanto aguardávamos uma cama. O mais difícil de suportar não eram as próprias dores, mas as das “companheiras de corredor”, que gritavam e choravam, não suportando o sofrimento. Eu tentava ensinar-lhes o que tinha aprendido nas aulas de preparação para o parto sobre controlo da dor, relaxamento, respiração, mas elas descontroladas, nem me ouviam.

As horas foram passando e uma a uma as mulheres que me rodeavam foram parindo. Finalmente, nem sei ao fim de quantas horas, levaram-me para um quarto, colocaram-me um soro e presumo que iniciaram uma perfusão com oxitocina porque as dores se tornaram muito mais intensas. Tentei continuar a lembrar-me de tudo o que tinha aprendido. Sempre de olhos fechados, mantive-me controlada, durante as contrações que eram praticamente contínuas. Se tantas mulheres antes de mim tinham parido, porque não havia eu de fazer o mesmo? E esta é uma dor com esperança: acaba sempre e tem uma recompensa ímpar. Quando me ameaçaram com a necessidade de colocar um fórceps, as minhas forças dobraram e ela saiu: 3680g e cabeçuda.

Levaram-na para secar, vestir e colocar num berço, ao lado de muitos outros. Perguntei se era ela que chorava e pedi que ma trouxessem. – Quere-a? Perguntou a enfermeira. Como não havia de querê-la? E coloquei-a a meu lado para poder cheirá-la, olhá-la, senti-la.

Mamou desde a primeira hora sem dificuldade. Ao 2º, 3º dia tinha uma dor ligeira nos mamilos no início das mamadas, que rapidamente cedeu.

Mamava a toda a hora, sobretudo de noite, nos primeiros meses. Tive uma ou duas mastites. Mas eram pormenores insignificantes que faziam parte do percurso.

Se me interroguei alguma vez sobre ser capaz de parir? Não, nunca tal me passou pela cabeça, apesar da minha mãe e avó, ao fim de mais de 15 horas de trabalho de parto clamarem: mas porque é que não lhe fazem uma cesariana?

Se duvidei alguma vez que ia amamentar? De forma nenhuma. Porque havia de pensar tal coisa? Essa era a realidade que eu conhecia – amamentar. Toda a família assim tinha feito.

Até ia todas as semanas ao peso à farmácia, mas só para ter o prazer de dizer: já tem cinco quilos. Cinco quilos que são só meus. Fui eu que a gerei no meu útero e que a nutri com o meu leite. Essa ideia enchia-me de prazer e de orgulho.

Só guardo duas mágoas desse período, mas à luz do que sabia, não podia fazer melhor.

– Não ter feito contato pele a pele. Era uma quase necessidade física que eu sentia e queixava-me de ser inverno e ter a bebé sempre embrulhada em roupa. Mas há 30 anos quem se lembraria de tal coisa?

-Não ter amamentado durante mais tempo. Mas à data eu não sabia quão importante seria continuar com a amamentação.

Amamentos