Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

11 de Janeiro de 2016

Que notas tiveste?

“Que notas tiveste?” é a pergunta repetitiva a que muitos alunos tentam escapar findo o 1º período. Após um período que possa não ter corrido tão bem quanto o esperado, existe um misto de vergonha, frustração por não ter alcançado os objetivos exigidos pelo próprio ou pelos pais, ou arrependimento por não se ter esforçado o suficiente.

Que notas tiveste

Os primeiros períodos de cada ano letivo exigem uma adaptação aos novos professores e o seu método de lecionar a matéria e avaliar, e por vezes, adaptação a nova escola e novos colegas. A estes fatores acresce a pressão para terem boas notas e um comportamento exemplar na escola. Desengane-se quem considera que estas experiências não são stressantes para os mais jovens.

A maioria dos pais face a uma nota inferior à que desejam para os filhos, seja ela um 50% ou um 85%, tendem a comentar: “és um preguiçoso, um distraído, não estudas nada, vais ficar de castigo…”. Compreensivelmente os pais desejam o melhor para os filhos e certamente querem que tenha um bom desempenho académico. Mas será que com estas críticas promovem o sucesso? Se como pai ouvisse tais palavras sobre o seu trabalho sentir-se-ia motivado?

Perante este tipo de comentários que criticam a pessoa, e não o comportamento ou o resultado em específico, o seu filho sente-se julgado, desmotivado e desvalorizado, exatamente no momento em que necessita de sentir o contrário. Mas como ajudar?

Antes de mais é fulcral nivelar as expectativas. Nem sempre aquilo que os pais exigem e esperam, é aquilo a que os filhos têm capacidades para alcançar, ou até, que estão dispostos a obter para eles próprios. Aceite que o seu filho não tem tanto interesse e facilidade de aprendizagem para determinadas matérias e disciplinas.

Segundo uma investigação no Reino Unido, as crianças têm piores desempenhos na escola quando são objeto de grande pressão e demasiada exigência académica por parte dos pais. Em contrapartida, quando as metas apresentadas são elevadas, mas realistas, as boas notas tendem a aparecer.

A forma como comunica com um estudante também é essencial. É importante tentar perceber juntamente com o seu filho, sem tom acusatório ou sermões, o que contribuiu para o “insucesso”. Não estudou o suficiente? Estava demasiado ansioso e bloqueou a responder? Teve dificuldade em se concentrar? O teste era extremamente difícil? Esta reflexão permitirá compreender as dificuldades do seu filho e pensar em soluções. Poderá necessitar de mudar o método de estudo àquela disciplina, ou de aprender a gerir melhor o tempo e/ou a ansiedade quando está sob pressão no teste, por exemplo.

Desta forma, estará a passar a mensagem de que se preocupa com o seu filho e que está disposto a ajudá-lo.

Perante uma nota mais baixa que a esperada, comentários como: “Este teste correu pior, mas vamos ver como poderás melhorar. Acredito que com mais um esforço, vais conseguir. Não desistas!” demonstram que acredita que ele será capaz, e isso vai motivá-lo muito mais.

Valorizar e elogiar todo o esforço na realização de T.P.C.’s e estudo, fará sentir-se reconhecido. Se sentir que os pais nunca estão satisfeitos com nenhuma nota, mesmo que até tenha melhorado em determinadas fichas de avaliação, então o aluno tenderá a desistir ou até a tentar mentir acerca dos seus resultados.

Se os pais parecerem estar apenas focados nas notas escolares e desvalorizarem todos os sucessos alcançados noutras áreas de vida da criança/adolescente, então esta poderá associar o seu valor pessoal às notas, deste modo, a sua autoestima será afetada negativamente.

Encarem o 2º período escolar como uma oportunidade de mudança e não como mais um fator de pressão. Coloquem em prática as mudanças necessárias para um desempenho mais satisfatório, compreendendo o ritmo do aluno, e passo a passo, o sucesso será alcançado.

Boa continuação de ano letivo!

*artigo exclusivo Barrigas de Amor®

Raquel Carvalho

Psicóloga Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia

 

Logo