Mães e Pais na 1ª Pessoa

Ana Osório 

My Little Man

Que menino tão lindo e ainda de chupeta!

Chupeta boa, chupeta má, chupeta dá jeito, chupeta entorta dentes, chupeta acalma, chupeta torna-os demasiados mimados, chupeta aquilo, chupeta nisso, blábláblá.

Acho que é um dos assuntos em que todo o mundo tem opinião, nem que seja para dizer que menino tão lindo e ainda de chupeta, ohhhhh!! Cada um ao seu jeito e mesmo quando ninguém pergunta nada. Fica aqui um bocadinho da nossa experiência.

Se bem me lembro quem pôs a chupeta ao Little fui eu, aliás que impingiu a chupeta. Três meses e não dormia mais que uma hora seguida, só ao colo e na mama, aquele “erro” clássico de mãe de primeira viagem e impaciente. Quando lhe dava a chupeta ele não conseguia segurar, cheguei a ter o braço dormente de estar a segurar a chupeta, cheguei a pôr uma fralda de modo a que a chupeta segurasse, quase que o sufocava, desespero total, mas só queria que dormisse mais um bocadinho (ele e eu). Ao final de algum tempo e persistência tinha um bebé de chupeta e que até dormia mais um bocadinho, mas nada do que precisávamos.

O tempo foi passando, fui comprando as chupetas com o tamanho adequado, sempre com desenhos diferentes para não criar habituação a uma única, cuidado de esterilizar, ia connosco para todo o lado a qualquer altura do dia. O little foi crescendo e nunca definimos um dia, uma data, os meses em que ele ia deixar a chupeta. Não era nada que me incomodasse, não era nada que achasse que ele não ia saber lidar mais tarde. O tempo passa, o little cresce e as reprovações começam a aparecem, todos criticam por que faz mal a isto ou aquilo, dentes tortos (eu usei até ao 6 anos e tenho os dentes mais lindos da freguesia) atraso na linguagem (um dia levei um raspanete de um terapeuta de fala, valha-me deus!!).

Entrou para a escola em Setembro ( com três anos) com chupeta na boca, mais tarde por iniciativa da educadora usava apenas para dormir, mas chegava ao carro e pedia logo a pêpê. Devagarinho começamos a deixar em casa, porque já era o único menino que usava, não queria ser o bebé da sala. Cegava a casa e ia a correr para a pepê, a carinha de mimo e satisfação dele, era de me partir o coração. Aos 3 anos em meio usava a chupeta para dormir à noite e só usava na cama dele, eram 11h e dizia ohhh mãe tenho sono posso ir para a cama, só para ter a chupeta.

Agora expliquem-me como se tira um objecto a uma criança que desde que se lembra o tem com ela? Expliquem-me porque em tempos fui eu que o obriguei a usar e agora imponho que não a use? Expliquem-me como conseguem inventar histórias perdidas, de cães, de avós, de patos de meninos pobres? Como conseguem ver aquela carinha de amor perdido quando dizem que não pode usar? Sei que alguns me acharam fraca e pouco determinada no que diz respeito a este assunto, mas sabem o que vos digo? Fiz sempre o que o meu coração de mãe melhor sabia fazer.

E hoje de coração cheio digo que o Little já não usa chupeta porque não quer, porque nós pais lhe explicamos com as palavras certas que nem sempre tudo é para vida toda, que um dia ele tinha que deixar a chupeta na gaveta e ele deixou, despediu-se dela com os ombros encolhidos, pediu para não deitar fora e nós prometemos que não. Está lá, para mais tarde recordamos o quanto foi importante, as as vezes que o reconfortou, as vezes que chorou por não saber dele e as muitas vezes que me ajudou a mim. Foi uma despedida sem traumas, choros, corações apertados. E quantos ao dentes estão todos no sítio.

Não quero com isto incentivar ninguém a usar chupeta até ir para a universidade, quero apenas dizer que cada família, que cada um dos nossos filhos tem o seu ritmo, e há que respeitar!

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