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Psicologia

2 de Agosto de 2014

“Quando olhar ao espelho dói” – adolescentes e imagem corporal

ADOLESCENT WITH MIRROR

Entendamos a adolescência como uma fase de enormes mudanças. Tanto a nível físico como a nível psicológico, surgem novos aspetos a cada dia. Podemos entender esta fase como um período de adaptação e transição, se quisermos.

Neste momento, o grupo de pares assume uma importância central, dando lugar a um aumento significativo da socialização e da autonomização.

O sistema hormonal vai-se alterando e surgem as tais mudanças repentinas no corpo. Então, cada adolescente precisa de olhar para si, ver-se, e ir-se adaptando a tudo o que está a acontecer de novo. Precisa de se adaptar a um “novo corpo”.

Acresce a isto o facto de, as alterações corporais não acontecerem ao mesmo tempo (e da mesma forma) em rapazes e raparigas. E, mesmo entre raparigas, o desenvolvimento será diferente. Tal como nos rapazes acontecerá.

E ainda, como foi dito, surge a questão da importância do grupo de pares. Há uma grande influência das opiniões do outro, bem como a construção de padrões do que será ideal, de acordo com isso.

Então, e se a imagem não corresponde àquilo que o adolescente idealizou, surge o espaço para o descontentamento consigo mesmos, as inseguranças relativamente ao corpo e a dificuldade de confronto e aceitação daquilo que são.

É natural que, em algum momento, existam inseguranças relativamente ao corpo. A questão pode colocar-se a partir do momento em que o peso desta problemática passa a ocupar um lugar central na vivência do adolescente. Neste momento, importa ficar alerta.

Importa ter em conta que as perturbações a nível da imagem corporal podem ser o primeiro sinal do desenvolvimento de perturbações mais graves ou comportamentos de risco. Podendo ser potenciadas por um perfil inseguro ou por situações traumáticas anteriores, este tipo de problemática passa, não poucas vezes, despercebida na sua fase inicial.

Assim, deixamos alguns sinais de alerta, aos quais vale a pena estarmos atentos:

– Tristeza,

– Isolamento,

– Desinteresse por atividades anteriormente prazerosas,

– Restrições na escolha do vestuário,

– Desinvestimento ou investimento exacerbado nos cuidados básicos,

– Diminuição da capacidade de apreciação dos aspetos positivos de si.

Talvez possamos guardar a ideia de que, nesse momento, é como se o corpo fosse o único constituinte do adolescente e esse constituinte fosse intolerável.

 

Inês Carvalho

Psicóloca Clínica

Equipa Mindkiddo – Oficina de Psicologia

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