Mães e pais na 1ª pessoa

20 de Abril de 2013

Quando as perguntas deles nos deixam com crise existencial!

– Oh mãe, nós somos pobrezinhos?

Herr….. Visto de que prisma?

Tendo em conta que andamos vestidos, calçados, temos casa, carros e jantar na mesa, acho que não nos podemos considerar pobrezinhos…
Mas se pensarmos que há dois anos atrás, o Luís e eu, juntos, ganhávamos mais do dobro do que agora e pagávamos bem menos por tudo!… Tendo em conta que jantávamos fora, comprávamos roupa, passávamos dois fins-de-semana por ano fora só os dois, tínhamos empregada uma vez por semana e uma empresa para passar a roupa a ferro e agora não temos nada! Hum… Não sei!
À hora do almoço ouvi no telejornal uma senhora dizer que havia uma nova classe de pobres. São os que vivem como nós, numa casa confortável, têm trabalho, carro, etc. Mas depois comem sopa ao jantar para deixar os bifes aos filhos, não sobra dinheiro ao fim do mês (fim do mês!!! hahahahaha) e não fazem nada a não ser pagar as contas da casa.
Cinema, foi-se!
Jantares, acabaram!
Roupa, só para as crianças! (De preferência em promoção)
A empregada agora sou eu!
Os fins-de-semana são passados cá, a fazer programas à borla!

Se há dias em que agradeço à crise pelas alternativas que descobri, pelos menús mirabulantes que crio com um terço do orçamento do supermercado, pelo valor que aprendemos a dar às pequenas e importantes coisas da vida, há dias em que me apetece chorar de raiva! Por não poder dar aos meus filhos a vida que imaginei, por ter que dizer constantemente que não à minha filha quando me pede alguma coisa, por não poder ir jantar fora com o meu marido de vez em quando para espairecer a cabeça, por ter tirado a natação à Gigi que ela adorava, por me ver de mãos atadas a sobreviver ao longo dos dias e a ver os dias a passar e os filhos a crescer… Sempre desejando que chegue o início do mês! Sempre a fazer contas à vida, sempre a pensar onde podemos poupar mais um bocadinho daqui para por ali!

Se há vidas piores? Há! Claro que há! Mas eu não vivo em África! Nem num bairro sem água ou esgotos! E neste momento, depois de ter pertencido a vida toda a uma classe média alta com uma vida do caraças, com férias em todo o lado, viagens, roupas, festas, champagne e carros novos, aprendo (ai o que eu tenho aprendido nestes últimos dois anos…) a viver numa classe de gente formada, altamente formada, com emprego ou não, que mora numa casa com tudo a que tem direito, mas que conta os tostões para ir ao super-mercado!

Tudo isto porquê? Por causa de 30 anos de má gestão de pessoas que não são responsabilizadas por isso. Que continuam a receber pensões sobre as asneiradas que fizeram, que têm milhões em offshores e vivem em apartamentos de luxo no centro de Paris e que deitam a cabeça na almofada à noite e dormem porque não têm de pensar onde vão arranjar dinheiro para meter 10€ de gasolina no carro para poderem ir trabalhar!

E isto lixa-me! Lixa-me mesmo!

E o que aí vem? Ai senhores, o que aí vem… Não sei! Não quero saber! Prefiro não pensar já nisso! Se tiver que comer pão com manteiga ao jantar, como! Mas os meus filhos é que não hão de ficar sem carne nem peixe à refeição! Ai não vão não!

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