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Psicologia

1 de Outubro de 2014

Quais os medos normais na Infância? E quando é que estes medos ultrapassam o limite da normalidade?

medo

Todas as crianças em qualquer ponto do mundo, de diferentes etnias, nacionalidades, religiões têm os seus receios, tal como todos nós quando fomos pequenos os tivemos.

Mas quais os principais medos que se destacam nas diferentes fases do desenvolvimento de uma criança?

Antes dos 2 anos

Nesta altura surge o medo de pessoas desconhecidas, ansiedade de separação, medo de alturas, de ruídos fortes e de objetos ameaçadores. Estes medos podem prolongar-se até aos 5 anos, a forma como se vai manifestando modifica-se à medida que a criança cresce.

Dos 2 aos 3 anos

Medo do escuro – pode prolongar-se por algum tempo, até aos sete ou oito anos. Podendo isto ser visível através de comportamentos como manter uma luz de presença ou manter o candeeiro acesso, dormir com a porta aberta para entrar luz do corredor.

Medo de pequenos animais – pode durar vários anos, no entanto costuma desaparecer aos 5 anos.

Cinco anos

Medo de pessoas “más” ou “malvadas” – no jardim-escola ou no primeiro ano do ensino básico as crianças começam a assustar-se com determinados adultos os quais classifica como maus ou malvados. Este medo pode continuar por vários anos, até mesmo durante o primeiro ciclo do ensino básico. O uso da palavra mau pode ser a forma que a criança encontra para descrever adultos que fazem com que ela se sinta ansiosa, que se encontra em posições de autoridade e que são vistos como exigentes ou com tendência para criticar.

Medo de ferimentos corporais; ou envolverem-se em algum acidente.

Seis anos

Medo de monstros e seres sobrenaturais – fantasmas, bruxas, múmias, lobisomens e vampiros (provavelmente o seu filho poderá pedir-lhe para verificar se encontra algo debaixo da cama ou roupeiro como uma forma de tranquilização e segurança). Estes medos começam geralmente devido a filmes a que as crianças assistem.

Medo de dormir sozinho no seu quarto – a criança pode pedir-lhe constantemente para dormir na sua cama ou pode até mesmo ir para o seu quarto e cama a meio da noite. Nesta idade, as crianças podem também tornar-se medrosos quando os pais não se encontram visíveis, ainda que facilmente acessíveis; pode também surgir o medo de curtas separações fora de casa. Estes medos de dormir e de permanecer sozinha devem diminuir assim que a criança complete os oito anos.

Medo de relâmpagos e trovões – pode prolongar-se até aos 7 ou 8 anos. Contudo em alguns casos poderá prolongar-se por um período de tempo mais longo, até mesmo aos nove ou dez anos.

Dos sete aos 8 anos

Nesta idade começam a sofrer a influência dos meios de comunicação social, surgindo medos como:

– Medo de viajar de avião – após a notícia de um desastre;

– Medo de catástrofes naturais, como terramotos, furacões, cheias;

– Medo de catástrofes provocadas pelo homem – guerra, atentados terroristas, explosões nucleares, etc.

– Medo de doenças como a sida e o cancro;

– Medo de ser raptado.

Nove anos

Por volta desta idade os medos da criança transformam-se em preocupações relativas:

Ao próprio desempenho (e.g. fazer testes; apresentações orais. Pode também acontecer que a criança comece a expressar medo de falta de rendimento ou competências noutras áreas, como o desporto, a música, a dança, ou qualquer outra atividade não académica que ela pratique fora da escola);

A questões de socialização (e.g. a sua aparência física e a impressão que os outros têm de si, principalmente os colegas, se são populares no grupo a que pertence ou se têm amigos suficientes);

Medo da morte quer sua ou de terceiros.

Todos estes medos podem prolongar-se até a criança completar onze ou doze anos e alguns podem persistir mesmo na adolescência.

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Cláudia Vieira

Oficina de Psicologia

Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde – Especialização em Intervenções Cognitivo-Comportamentais em Perturbações Psicológicas e da Saúde, na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.