Mães e Pais na 1ª Pessoa

Psicose Pós-Parto: Uma realidade distorcida e pouco conhecida

Apesar da gestação ser tipicamente considerada um período de bem-estar emocional e de se esperar que a chegada da maternidade seja um momento jubiloso na vida de uma mulher e respetiva família, o período peri e pós-natal pode não ser assim tão agradável como já temos vindo a falar.

Tem-se dado importância crescente ao tema, e pesquisas recentes têm focado também o prejuízo que essas patologias podem provocar não só à saúde da mãe, mas também ao desenvolvimento do feto, ao trabalho de parto e à saúde do bebé. Múltiplos fatores de risco estão envolvidos, mas a etiologia exata ainda não foi estabelecida, sendo que, um dos únicos que se conhece é que estes transtornos costumam acometer puérperas que já tenham história de patologia psiquiátrica prévia.

De entre os vários transtornos psiquiátricos que ocorrem no pós-parto e que podem acometer uma puérpera, a psicose, mesmo sendo um quadro mais raro com incidência entre 1,1 e 4 para cada 1000 nascimentos, é um deles.

Mulheres portadoras de transtorno bipolar do humor apresentaram risco elevado de desenvolver uma psicose puerperal (havendo cerca de 260 casos por cada 1.000 puérperas) quando comparadas a mulheres saudáveis, que apresentam 1 a 2 casos por cada 1.000 puérperas.

Estudos constataram que o início é abrupto com 1/3 dos casos a ocorrer na primeira semana após o parto e 2/3 nas duas primeiras semanas após o parto.

A Sintomatologia que apresentam está relacionada com delírios, alucinações e presença de estado confusional que parece ser peculiar aos quadros de psicose puerperal. Podem haver sintomas depressivos, maníacos ou mistos associados. A principal temática dos delírios da psicose puerperal está ligado ao bebé, sendo que, os temas mais comuns dos delírios são achar que o bebé não nasceu, foi trocado, está morto ou defeituoso, por exemplo.

Contudo, sem nenhuma história prévia de transtornos psiquiátricos o mais provável é que a utente se recupere completamente.

Se você que nos está a ler, se encaixa na sintomatologia inerente a esta patologia, ou se conhece alguém que poderá estar a passar pela mesma, não hesite em contactar algum especialista na área (Psiquiatra ou Médico de Família), para esclarecer todas as suas questões e poder proceder ao diagnóstico, caso este considere que se ajusta.

Quanto mais cedo procurar um especialista, mais cedo iniciará o tratamento, e consequentemente, mais cedo verificará os benefícios do mesmo, para si, e para os que a rodeiam.

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