Atualidade

13 de Maio de 2015

PROJETO PORTUGUÊS CONTRA DESIGUALDADES NA INFÂNCIA RECEBE APOIO INTERNACIONAL

Uma equipa de investigadores de Coimbra recebeu um financiamento internacional para aplicar um programa para diminuir desigualdades sociais e promover a saúde mental em crianças de pré-escolar, anunciou a Universidade de Coimbra (UC) em comunicado.

O programa, denominado “Anos Incríveis para a promoção da saúde mental”, que já foi testado com sucesso em Portugal por uma equipa de especialistas da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC (FPCEUC), vai ser aplicado em “60 jardins-de-infância de zonas carenciadas do distrito de Coimbra”, adianta a UC, numa nota hoje divulgada.

O projeto, que “visa diminuir desigualdades sociais e promover a saúde mental em crianças de idade pré-escolar”, acaba de “obter um financiamento internacional de 295 mil euros no âmbito do programa ‘Iniciativas de Saúde Pública’, do European Economic Area Grants (EEA-Grants), um mecanismo financeiro do espaço económico europeu, que conta com a Islândia, o Liechtenstein e a Noruega como países doadores.

Originário dos Estados Unidos da América (EUA), o ‘Anos Incríveis’ tem sido “amplamente aplicado em vários países e distingue-se por utilizar uma nova abordagem, baseada na evidência, para atuar tanto na prevenção como na intervenção precoce em problemas de comportamento”, sublinha a UC.

“Ao apostar em estratégias positivas, o programa funciona como uma vacina para prevenir perturbações mentais futuras”, sintetiza a UC na mesma nota.

O projeto, cuja aplicação vai agora ser desencadeada, “foca-se nos profissionais de primeira linha, nomeadamente nos educadores de infância”, a quem a equipa de investigadores da FPCEUC, liderada por Maria João Seabra Santos e Maria Filomena Gaspar, vai transmitir as competências necessárias para aplicação do ‘Anos Incríveis’.

O grande objetivo é o de que esta abordagem se transforme num Plano Nacional de Promoção de Saúde Mental, salientam as especialistas envolvidas no projeto, que também vão “monitorizar a implementação do programa, junto das crianças, em sala de atividades”.

“Pretendemos obter um efeito bola de neve, isto é, vamos formar um conjunto alargado de educadores de infância, que serão depois os embaixadores do programa junto de outros profissionais, replicando o modelo em zonas cada vez mais alargadas do país”, afirmam Maria João Seabra Santos e Maria Filomena Gaspar.

O financiamento agora obtido “permite continuar a levar o ‘Anos Incríveis’ a cada vez mais famílias e educadores, procurando promover a saúde mental de crianças em idade pré-escolar, aumentar a eficácia dos profissionais que lidam com elas e promover uma interação positiva entre a escola, os profissionais de saúde e a família”, salientam as duas investigadoras, que também são docentes da UC.

Para a seleção das escolas que vão ser objeto de intervenção, a equipa da FPCEUC conta com o apoio da Associação Nacional de Intervenção Precoce (ANIP) e da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC), instituições que são parceiras do projeto.

A investigação conta igualmente com a colaboração da Universidade de Tromso (Noruega), “um modelo a seguir na investigação e implementação dos programas ‘Anos Incríveis’, e contempla ainda uma intervenção em centros de saúde”.

Fonte: Sapolifestyle