Atualidade

13 de Maio de 2013

Professores de Matemática dizem que novo programa implica mais gastos para as famílias

O novo programa de Matemática para o ensino básico é um “retrocesso”, integra conteúdos “inadequados” à idade dos alunos, vai obrigar as famílias a gastar mais dinheiro, porque os manuais em vigor deixarão de servir — sendo que os novos, “que não são ainda conhecidos”, dificilmente estarão prontos a tempo de serem utilizados no próximo ano lectivo. As críticas são da Associação de Professores de Matemática (APM).

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Em conferência de imprensa, em Lisboa, a direcção da associação acusou o Ministério da Educação de estar afastado da realidade do ensino nas escolas e explicou por que razão está contra o novo programa para o ensino básico, que está em discussão pública até ao final do mês, devendo ser homologado a 17 de Junho para entrar em vigor já no próximo ano lectivo.

“Não há nenhum país do mundo minimamente avançado que tenha este tipo de programa tão formalista, tão abstracto, com tantos conteúdos, tão extenso. Não há. E há países que estão com um desempenho muito melhor do que nós”, disse o vice-presidente da APM, Jaime Carvalho e Silva.

A presidente da APM, Lurdes Figueiral, reprova sobretudo “a perspectiva pedagógica e metodológica da proposta” e “a forma como são introduzidos alguns conteúdos”: “É um retrocesso pelo formalismo, que era algo que na matemática moderna dos anos 1960 se fez e que resultou mal no ensino”.

Em comunicado, a APM diz que o novo programa privilegia “a mecanização de procedimentos e rotinas e os aspectos mais formais da Matemática, menorizando aprendizagens de maior exigência cognitiva, prescrevendo desempenhos fragmentados numa lógica de ‘pedagogia por objectivos’ há muito abandonada”.

A APM apresentou no domingo uma queixa electrónica ao Provedor de Justiça contra o despacho do Governo que revoga o programa de Matemática em vigor. A APM diz que esse despacho é ilegal “por falta de fundamentação”.

A associação alega que a revogação decretada pelo ministro Nuno Crato “ignora a qualidade de trabalho e investimento feito na elaboração, experimentação e implementação do programa de 2007, com resultados que foram avaliados e nunca divulgados”. Mais: “O programa de 2007 — que só no final deste ano será totalmente implementado — é objecto, neste despacho, de um conjunto de afirmações infundamentadas e em tom difamatório.”

A APM salienta ainda que “a lei exige que, havendo um novo programa, tenham de ser criados novos manuais”. O que comporta gastos para as famílias “ao substituir os manuais actualmente em vigor por outros”. Mas esse não é o único problema relacionado com os novos livros.

“Esses manuais têm prazos de elaboração que têm como referência os 20 meses. Ora, se um programa vai entrar em vigor em Setembro, das duas, uma: ou os manuais já estão feitos ou então não vai haver tempo para serem feitos com as condições que asseguram a sua qualidade. Se já estão feitos, então é ainda mais grave, porque isso quer dizer que foram feitos antes de o programa ter sido anunciado”, diz Lurdes Figueiral.

 

Fonte: Público