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Psicologia

13 de Agosto de 2013

Problemas escolares no mais velho… O que se está a passar?

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A M.  sempre foi uma excelente aluna. Este ano  baixou um bocadinho as notas  e na reunião de pais de final de ano a professora perguntou-me se teria havido alguma alteração na rotina em casa. Hoje percebi que a entrada do B. para a escola foi sentida pela M.como uma grande mudança.  A nova rotina, a atenção… Foi a M. que me explicou,  no nosso dia de mãe e filha, enquanto estavamos a beira-mar,a ganhar coragem para um mergulho …

Problemas escolares no mais velho… O que se está a passar?

Um baixo rendimento escolar pode ter várias causas, entre elas, dificuldades de aprendizagens mas também questões emocionais. Com efeito, um adolescente com um percurso académico de sucesso no 1º ciclo do ensino básico, pode começar a sentir um decréscimo do seu rendimento escolar bem mais tarde, e não estar isso ligado a qualquer causa cognitiva.

Para melhor compreender o que pode estar na base dessas dificuldades, devemos estar atentos a qualquer mudança que tenha ocorrido na vida do jovem não só no imediato – quando começaram a surgir as alterações nas notas – mas também antes, uma vez que os sintomas podem verificar-se muito depois de um acontecimento precipitante.

Qualquer alteração na vida do jovem ou mudança no seu seio familiar pode estar associada a alterações no rendimento escolar. A entrada do irmão para o 1º ciclo de ensino básico pode, por exemplo, ser uma das causas uma vez que leva a uma reorganização familiar e a um maior foco de atenção dos pais na criança. O adolescente pode temporariamente ter dificuldade em encontrar o seu “lugar” nesta mudança familiar e isso ter reflexo no seu rendimento escolar. É importante manter uma comunicação de qualidade com os filhos, mesmo quando estes parecem mais autónomos. Falar com o mais velho sobre as importantes decisões da família e antecipar com ele as consequências/mudanças que daí irão advir constitui um fator protetor para uma melhor adaptação.

Para além disso é fundamental que os pais transmitam ao filho a mensagem que acreditam que ele irá melhorar os resultados escolares e que o ajudem e acompanhem a pôr em prático um plano que vai facilitar o sucesso, por exemplo, através da criação de um horário de estudo ou de uma reorganização de um espaço físico sossegado e sem distratores onde o jovem possa estudar. As expectativas que os adultos significativos transmitem aos filhos constituem um fator fundamental para o alcance de objetivos positivos.

É importante relembrar que por mais que, sendo adolescente, procure mostrar independência e autonomia, os jovens precisam da atenção dos pais, do apoio e dos seus cuidados.

Dra. Nelly Almeida (Psicóloga clínica)

Consultório em Leiria

CeFIPsi: Centro de Formação e Investigação em Psicologia

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