Mães e Pais na 1ª Pessoa

Patrícia Saramago 

Com Bicharocos Carpinteiros

Primeiro Dia de Escola

Eu sempre gostei de escolas.
Das escolas todas onde aprendi como aluna, daquelas onde já dei e dou aulas, das que visito em congressos, ou se em viagem passo por alguma escola que possa visitar, não lhes resisto.

Cada uma deles é um mundo inteiro e um mundo em que eu gosto de estar. Não é diferente com o infantário dos meus filhotes, gosto da escolinha dos espaços, das pessoas, mas uma coisa é a escola, outra é deixar lá os nossos filhotes.

Com o primeiro dia de escola do Afonso a aproximar-se, eu já sabia que viria o nervosismo, a ansiedade que vem com pezinhos de lã, mas traz com ela o frio na barriga e o nó na garganta, que tão bem sei fazer com que não transpareçam, como sei reconhecer que estão cá.

Ocupei-me com os pormenores, com reunir o material, preparar e etiquetar tudo, antecipar o que quer que precisassem, mas a cada vez que no meio destes meus afazeres de mãe, olhava para ele, cada vez que ele me vinha resgatar destas minhas tarefas para ir com ele fazer um desenho, fazer uma torre de lego, dançar, ou cantar uma canção, o nó na garganta apertava e a angústia crescia.

Tão pequenino…tão meu.

(E se ele se sente abandonado? Se fala e não o percebem? Se não consegue dizer o que precisa? Será que vai pensar que eu não o vou buscar? E se fica aflito?) Angústia de mãe que quer cuidar e proteger de tudo.

O primeiro dia de escola para mim, nada tem que ver com a escola. É cordão umbilical puro.

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