Espaço Família | Como Cresceram

Psicologia

9 de Julho de 2015

Porque não sabemos o que o futuro nos reserva, criemos crianças mais resilientes

resiliência

Todos nós, grandes adultos, sabemos que viver não é fácil!

Com a idade vêm responsabilidades, dificuldades, dissabores… e um sem número de coisas que todos os dias nos desafiam e exigem todo o nosso esforço para lidar com elas e avançar em frente. A verdade é que o fazemos da forma que nos ensinaram ou que a própria vida nos foi ensinando.

Por sabermos que muitas vezes ser adulto é exigente, temos a intenção de proteger em demasia as nossas crianças, evitando que sofram como nós ou que debatam com dificuldades demasiado cedo. Mas, se por um lado o nosso papel deve ser de cuidadores e protetores destes pequenos seres, a verdade é que muitas vezes, com as melhores intenções, não as preparamos para os desafios do futuro, criando crianças com medo, com pouca confiança nas suas capacidades e menos preparadas para lidar com a vida. Estamos assim a diminuir as suas capacidades de resiliência, no fundo a capacidade de olharem e lidarem com as adversidades, procurando soluções e ganhando uma autonomia mais segura para resolverem os problemas e crescerem com eles.

Explicamos-lhe como pode ajudar o seu filho a tornar-se mais resiliente:

Cuidado vs Liberdade

Comecemos pelo básico, cuidar! A parte fundamental para desenvolver a auto-confiança de qualquer criança é esta saber que tem sempre por pertos adultos, que a ajudarão quando precisar. Sem esta base segura, cujo principal ingrediente é o amor incondicional, haverá medo e pouca abertura da criança para explorar “novos mundos”.

Assim os pais, cuidadores e familiares devem funcionar como facilitadores, simplesmente estando presentes e disponíveis, mas dando espaço para o bebé explorar o mundo à sua volta, a criança se envolver com outras pessoas foram do ciclo familiar e o adolescente desenvolver mais tarde a sua autonomia.

Problemas vs soluções

A par do desenvolvimento é importante que a criança se depare com problemas, tirar-lhos ou resolve-los por ela é o mesmo que lhe tirar importantes oportunidades para experimentar e crescer, ficando apenas a sensação de incapacidade para lidar com a situação, mesmo sem a ter experimentado. Por outro lado, cada problema exige que o nosso cérebro procure causas, soluções, estratégias e testar soluções, assim, quando o desafio é adaptado à idade da criança, estamos deixar uma semente para o crescimento da sua auto-confiança e auto-determinação.

Valorização vs correção

Tudo isto só fará sentido se houver alguém, mais sábio, como um adulto, que valorize o esforço da criança mas que também ajude quando esta sentir dificuldades. É importante elogiar a criança quando é bem sucedida, aumentando a sua sensação de auto-eficácia, mas também de corrigir, sem critica, aumentando a sensação de que errar não é assim tão perigoso e que neste período de experiências, alguém lhe mostrará os limites e outras soluções.

Validação das emoções

Chegamos ao ponto fundamental, com que a maior parte dos adultos se debate … as emoções negativas que surgem perante os grandes desafios. Não podemos pedir à criança para não ficar triste, porque nós também não o sabemos fazer, não podemos pedir que esqueça, porque também não é possível… Então podemos validar, dizer que é normal, confortar e mostrar que até nós adultos passamos por momentos e emoções menos boas, que tal como ondas vão e vêm. Estamos assim a aumentar a sua capacidade de regulação emocional e de vivência destas emoções não como algo perigoso, mas como parte da vida.

Agora que tem a teoria, deixamos algumas dicas práticas para estimular a capacidade de resiliência na criança.

Deixe a criança experimentar novas brincadeiras, novos materiais, novas tarefas.

Atribua responsabilidades consistentes com a idade da criança, algumas tarefas são fundamentais para ganhar autonomia.

Faça das regras e castigos um processo colaborativo, deixe a criança envolver-se e seja sempre muito claro sobre o porquê das consequências

Deixe a criança lidar com os problemas que tem com os amiguinhos, fazem parte do desenvolvimento. Isto não quer dizer que deixe de estar atento na retaguarda.

Não interfira demasiado no processo ou regras escolares, são importantes para qualquer criança.

Permita que o seu filho experiencie frustração por não poder ter ou fazer algo, acontece-nos a todos!

Ouça verdadeiramente a criança e quando ela lhe fala dos seus problemas. Se ela não o faz, pergunte sem ser evasivo.

Quando esta fala dos problemas, desça ao seu nível, não vá vestido de adulto sabe tudo. Valide e tente encontrar soluções em conjunto com ela.

Seja modelo, alguns dos nossos pequenos problemas podem ser explicados à criança e mostrar como os resolvemos. A criança aprende mais a ver como o adulto faz, do que a ouvir como fazer.

Lembre-se que cada pedacinho que a criança cresce hoje, fará dela um adulto enorme amanhã!

Inês Custódio | Psicóloga Clínica | Oficina de Psicologia

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