Mães e Pais na 1ª Pessoa

Mónica Santana Lopes 

A Mulher é que Manda

Por favor, parem de crescer!

Não há nada que dê mais gozo a uma mãe do que ver os seus filhos crescer, lembro-me bem do orgulho e a felicidade que senti quando as princesas deram os primeiros sons a quererem expressar algumas palavras, as primeiras brincadeiras, quando começaram a gatinhar ou a dar os primeiros passos, o aperto no coração da primeira vez que entraram na escola e as tive de deixar.

Depois vão para o primeiro ano e parece que tudo muda, a vida torna-se totalmente diferente, começam a ter mais responsabilidades, a ter de estudar, a ser mais meninas e já não são mais bebés. Mas quando começam a fazer aquelas perguntas difíceis, tipo como nascem os bebés, para que é que servem os pensos, como é que a sementinha do pai vai parar à barriga da mãe, a gostar de rapazes, a ter vergonha de coisas que a mãe diz ou faz, então aí percebemos que é o fim, o caminho é para se tornarem meninas e não mais bebezinhas.

As minhas piolhas entraram agora nessa fase, tento explicar tudo sem grandes pormenores, mas com muita naturalidade, porque também quero que sintam que podem confiar sempre em mim, que não há assuntos tabus e podem falar com a mãe sobre qualquer assunto.

Este fim-de-semana enquanto jantávamos, a mais nova soltou a pergunta “Como se sabe que se tem um bebé na barriga?”, eu estava com a comida na boca e ia-me engasgando e como estava de boca cheia não pude responder no mesmo segundo. O pai das crianças soltou de imediato a frase “Então, responde! Não ouviste e pergunta!”, a cara de pânico do único membro masculino da mesa fez com que eu engolisse a comida em dois segundos, sem sequer e mastigar e respondi prontamente, com o ar mais calmo do mundo, como se ela me tivesse perguntado o que era o jantar, enquanto o meu coração saltava tanto que parecia que ia sair pela boca.

O meu medo não era aquela pergunta, era as que podiam vir de seguida. Mas as crianças são tão simples que a conversa ficou por ali, a curiosidade estava esclarecida e por isso não havia necessidade de perguntar mais nada. Achava eu, nesse dia a cabeça dela estava a mil e parecia que queria saber sobre tudo, mais tarde veio mais uma pergunta “Mãe, porque é que as senhoras às vezes usam uma coisa nas cuecas que parece papel higiénico?”, lá lhe expliquei o porquê, na esperança que as perguntas ficassem por ali… e ficaram. Claro que. mais dia menos dia virá o resto e nunca mais terá fim, agora será sempre a abrir, pois as miúdas crescem a uma velocidade inacreditável, o tempo passa rápido demais e quando damos por isso já não são bebés.

Tenho tantas saudades desse tempo! É tão bom tê-los no nosso colinho e saber que somos tudo para eles, agora são as amigas, isto e aquilo e nós vamos ficando para trás. Claro que é um ótimo sinal e queremos vê-los crescer, mas por outro é tão bom se ficassem pequeninos para sempre…

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