Mães e Pais na 1ª Pessoa

Filipa Oliveira 

Mini Feijão

por cá

cão e cadela em casa, cheios de medicação [o Theo bem diz que raio de quantidade de antibiótico se consome nesta casa!], mas aparentemente a recuperar lentamente.

Precisávamos de alegria, de luz e de cor e por isso “fez-se” Natal lá em casa no domingo :) este ano foi a primeira vez que deixámos a Clara montar a árvore sozinha e estava mesmo feliz com as bolas, as luzes e alguns elementos que trouxemos da Disney :)

Hoje temos nova consulta para ver dona Isabel que faz jus à qualidade de 2ª filha [e provavelmente mais reguila por isso!]. Mexe muitíssimo, enfia os seus lindos pés debaixo das minhas costelas criando-me dificuldade respiratória e gosta de me pontapear o estômago quando estou a comer :) temos também a outra versão que é detestar que eu esteja sentada à secretária no escritório por isso vai-se esticando para que eu me afaste da mesa :) Deve ser das “boas” portanto.

Ontem foi também um dia estranho de lembranças. Fez 10 anos que perdi a minha mãe. 10 anos. É impressionante e triste como o tempo passa tão depressa. Hoje sim faz 10 anos do que me lembro como a pior manhã da minha vida, em que caí em mim com o que se estava a passar e a ser requisitada para tratar de uma série de burocracias quando só queria que me deixassem estar quieta no meu canto a chorar sozinha. Não foi fácil. Já não tenho 21, não sou saída de uma adolescência com um fim triste. Tenho 31 anos, duas filhas [uma ainda a caminho], um casamento feliz e um trabalho que me realiza [pelo menos emocionalmente]. Tenho sonhos e desejos, embora carregue comigo uma tristeza latente e profunda devido a uma saudade que nunca se foi embora, Gosto apenas de pensar que onde quer que ela esteja que esteja melhor do que esteve aqui naqueles últimos meses tão difíceis para ambas. Para mim que era uma “criança” e estava a ver o pior fim que alguém pode ter, para ela que sabia que ia deixar uma filha sozinha e que não podia travar esse acontecimento. Guardo em mim uma frase que ela me disse: quando tiveres saudades da mãe olhas para o céu e para a estrela mais brilhante. Saberás sempre que serei eu a olhar por ti.

 

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