Atualidade

20 de Abril de 2015

Passa pouco tempo com os filhos? Não se preocupe, isso não afeta o desenvolvimento deles

Até os autores do estudo ficaram surpreendidos com a conclusão: o tempo que se passa com os filhos não é importante para o seu desenvolvimento. O estudo contou com a participação de 2383 menores.

Um estudo sociológico da Universidade de Toronto, no Canadá, chegou a uma conclusão que surpreendeu até os seus autores: a quantidade de tempo que uma mãe passa com os seus filhos tem pouca ou nenhum influência no desenvolvimento das crianças.

Segundo o Washington Post, o estudo apontou que não existe uma correlação significativa entre o sucesso académico, o comportamento e bem-estar emocional dos filhos e o tempo que a mãe dos mesmos passa com eles. Apenas foi notada uma ténue melhoria no grupo dos adolescentes, mas que ainda assim não era significativa. Já o nível de escolaridade da mãe, o rendimento familiar ou o tipo de estrutura familiar demonstraram ser fatores influentes no bem-estar dos filhos.

“Podia mostrar 20 gráficos e 19 deles demonstram que não há nenhuma relação entre o tempo passado entre pais e filhos e os resultados dos últimos”, garantiu ao britânico “The Independent” Melissa Milkie, coordenadora do estudo.

Nesse caso, se o tempo passado com os filhos acaba por não ter influência no desenvolvimento destes, o que é que há a fazer? Milkie deixa uma sugestão: “Se queremos mesmo olhar para o assunto como um todo e perguntarmos como podemos ajudar as crianças, o nosso estudo sugere que isso pode ser feito com recursos sociais que ajudem os pais”. Mas sublinha que isso não quer dizer que o tempo com os filhos não seja importante: porque o estudo não analisou o que as famílias fazem nesse tempo em que estão juntas; e também porque há vários estudos anteriores a sublinhar a importância de ter “tempo de qualidade com os mais novos na autoestima destes e até no sua evolução escolar.

O estudo, cujo título original é “Does the Amount of Time Mothers Spend With Children or Adolescent Matter?”, é o primeiro trabalho com uma amostra de grande dimensão a ser publicado no “Journal of Marriage and Family”. Contou com a participação de 1605 crianças (entre os três e os 11 anos) e 778 adolescentes (dos 12 aos 18).

Fonte: Observador