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Cuidados a ter no Pré-Parto

9 de Setembro de 2014

Parto normal após cesariana é bem-sucedido na maioria dos casos

Estudo britânico mostrou que 63% das mulheres que tentam parto vaginal para o segundo filho não enfrentam problema, mas avaliação caso a caso é fundamental 

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Passar por um parto normal após ter feito uma cesariana é possível e, mais do que isso, as chances de sucesso são altamente favoráveis. É o que revela um estudo feito por duas universidades britânicas e publicado recentemente no BJOG: An International Journal of Obstetrics and Gynaecology.

A pesquisa reuniu quase 144 mil mulheres que tiveram a primeira cesariana entre 2004 e 2011. Pouco mais da metade (52%) tentou parto vaginal para o segundo filho e, dessas, 63% foram bem-sucedidas.

O estudo também apontou que mulheres com 24 anos ou menos tiveram uma  taxa de sucesso maior no parto normal (69%) do que mulheres com 34 anos ou mais (59%).

De acordo com Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês (SP), a princípio não há contraindicação para o parto normal quando a mulher passou por apenas uma cesariana. A restrição existe quando se trata de duas ou mais cirurgias deste tipo.

Explica que a região da cicatriz deixada no útero não tem a mesma resistência do tecido íntegro, tornando-se um ponto de fragilidade. “A partir de duas cesarianas, ou seja, dois cortes no útero, o risco de acontecer uma ruptura da cicatriz durante o parto aumenta significativamente, o que pode levar a situações extremamente graves para a mãe e para o bebé”, diz o obstetra.

Também por conta disso, a opção pelo parto vaginal para o segundo filho será determinante para aumentar as chances de um terceiro ou quarto partos normais. “Quando a mulher opta pela segunda cesariana, está a definir o seu futuro reprodutivo: daí para a frente, serão só cesarianas”, avisa Nogueira.

Cuidado extra

Embora o parto vaginal após a cesariana seja possível na maioria das vezes, algumas precauções devem ser tomadas. Recomenda-se aguardar pelo menos dois anos entre a cesariana e o parto normal, para garantir que a cicatriz tenha resistência suficiente para que tudo corra em segurança. O motivo que levou à primeira cesariana também deve ser considerado e foi apontado no estudo britânico como fator determinante para o sucesso do parto normal.

Segundo Nogueira, é preciso estudar cuidadosamente o histórico do parto anterior e avaliar em que condições a cesariana foi realizada. Explica que cirurgias feitas em situação de emergência ou com quadro de hemorragia impedem que se faça um fechamento tranquilo da parede do útero, o que pode comprometer a qualidade da sutura e agravar as chances de rompimento da cicatriz.

Já durante o trabalho de parto, é importante acompanhar a eficácia das contrações. O obstetra explica que a cicatriz da cesariana altera a forma como as contrações uterinas acontecem e pode torná-las ineficazes para empurrar o bebé para fora. Em alguns casos, pode ser necessário ministrar uma dose de ocitocina, substância que ajuda a melhorar a qualidade das contrações.

O médico alerta, porém, que o parto normal em mulheres que já passaram por cesariana nunca pode ser induzido. Ou seja, a ocitocina pode ser usada quando a mulher já está em trabalho de parto, mas nunca com a função de iniciá-lo.

A evolução do trabalho de parto também precisa ser acompanhada com rigor extra. Alexandre Nogueira explica que, quando o bebé é muito grande em relação à bacia da mãe, as contrações uterinas se tornam mais críticas e podem forçar a abertura da cicatriz. “Por isso, temos que zelar muito mais pela relação entre o bebé e a bacia — quanto maior o bebé, maior o chance de forçar a cicatriz”, diz o obstetra. A depender do diagnóstico, pode ser necessário recorrer a uma nova cesariana.

Após o parto, o médico recomenda verificar a integridade da parede uterina por meio do exame de toque, para verificar se realmente não houve rutura.

Qualquer que seja o seu caso, o mais importante é fazer uma avaliação junto do seu médico e faça-o ter em consideração o seu histórico, para tomar sempre a melhor decisão para si e para seu bebé.

Fonte | Revista Crescer