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Saúde

5 de Novembro de 2015

Parto natural vs parto por cesariana

Informe-se sobre as alternativas para o grande dia, conhecendo as vantagens e limitações de cada método.

Qualquer futura mãe tem dúvidas e receios naturais com o aproximar do dia do parto. É necessário, por isso, que esteja informada sobre as diferentes alternativas. Provavelmente já ouviu falar da possibilidade de ter um parto natural por via vaginal ou um parto por cesariana, mas quais são as grandes diferenças? E as vantagens e inconvenientes de cada um?

Parto natural Vs parto cesariana

Parto natural

O parto natural espontâneo é o tipo de parto que ocorre normalmente no final da gravidez de termo, entre as 37 e as 42 semanas, e no qual o bebé nasce por via vaginal. Durante o parto, recorre-se a várias técnicas e cuidados médicos que ajudam o natural decorrer do parto e proporcionam à mulher um maior conforto e segurança, nomeadamente:

  • Monitorização e estimulação das contrações e do ritmo cardíaco do bebé;
  • Rutura do saco amniótico (caso esta não tenha acontecido naturalmente);
  • Eventual utilização de analgesia epidural ou outros fármacos para diminuir a dor.

Em alguns casos, poderá ser necessário recorrer a outros procedimentos de forma a facilitar o nascimento, como a utilização de fórceps ou de ventosa, dois dispositivos que ajudam à expulsão do bebé.

Existem diversas vantagens no parto natural:

  • É um procedimento menos agressivo;
  • Compreende um menor risco de infeções e ausência de incisão na pele do abdómen, com menor risco de problemas;
  • O tempo de recuperação e de permanência hospitalar são geralmente menores.

O parto natural pode, em alguns casos, não ser o indicado. Certas doenças, como hipertensão e taquicardia (desenvolvidas durante a gravidez ou no momento do parto), infeção por HIV ou outras infeções sexualmente transmissíveis, podem ser fatores de impedimento para a realização de um parto natural por via vaginal. Por outro lado, se o bebé não estiver em situação cefálica (de cabeça para baixo), como nas apresentações pélvicas (nádegas ou pés) ou na situação transversa, ou se existir alguma alteração ao nível da placenta ou no útero, também pode ser contraindicado recorrer ao parto natural. Ou ainda se for uma gravidez gemelar com dois ou mais bebés ou se as posições de ambos forem incompatíveis com um parto por via vaginal.

  • Existem também doenças maternas como cardiopatias (doenças graves de coração) ou outras doenças médicas que, caso a caso, podem ser a causa da opção para a cesariana, assim como o historial clínico de cirurgias anteriores como, por exemplo, miomectomias por via abdominal ou mais do que duas cesarianas anteriores.

Outras eventuais limitações deste método são:

  • Dores na zona do períneo, após o parto;
  • Corte no períneo;
  • Possibilidade de desenvolvimento posterior de incontinência ou relaxamentos do pavimento pélvico (prolapsos, retocelos ou cistocelos).

Parto por cesariana

O parto por cesariana é um procedimento cirúrgico que pode ser realizado por opção da mulher ou por necessidade médica. No parto por cesariana é realizada uma incisão no abdómen e no útero da mãe de forma a poder retirar o bebé. A incisão pode ser transversal (“Pfannenstiell”) ou vertical (“Classica infraumbilical”). É habitualmente utilizado nos casos em que o parto por via vaginal não é possível ou caso este represente ameaças à saúde da mãe ou do bebé. A cesariana pode ser eletiva, antes do início do trabalho de parto, ou em trabalho de parto por razões clínicas.

Algumas das vantagens do parto por cesariana são:

  • O planeamento prévio permite saber exatamente quando é que o seu bebé irá nascer, com vantagens na concretização da equipa (obstetra, pediatra, anestesista).
  • Menor risco de desenvolvimento de incontinência ou relaxamentos do pavimento pélvico;
  • Diminuição dos riscos associados ao trabalho de parto vaginal como, por exemplo, traumas maternos perineais (vagina e vulva) ou asfixia por sofrimento fetal ante ou intraparto;
  • Redução da ansiedade da mãe porque o ambiente é mais controlado e, à partida, mais previsível;

 

No entanto, o parto por cesariana comporta também alguns riscos e limitações:

  • A dor no pós-parto: esta sensação de desconforto pode estender-se por mais tempo do que no parto vaginal não complicado;
  • O risco de infeções e hemorragias é maior;
  • As complicações anestésicas são mais elevadas do que no parto natural caso seja necessária uma anestesia geral de urgência. Se for feita uma epidural ou outra anestesia locorregional, a situação é idêntica;
  • O tempo de recuperação e permanência hospitalar é geralmente mais longo;
  • Há um maior risco de problemas pós-operatórios, como problemas na sutura (cicatriz), formações de aderências ou tromboembólicos;
  • Podem ocorrer danos nos órgãos vizinhos (por exemplo, bexiga, intestinos);
  • É importante esclarecer a grávida do risco numa gravidez subsequente e das implicações que uma cesariana acarreta, tais como: espaçamento da gravidez e número de cesarianas realizado como condição para um parto via vaginal;
  • Existe um maior risco de roturas uterinas em gravidezes subsequentes, assim como de má placentação, isto é, placentas acretas ou prévias que aumentam ainda mais o risco das gravidezes e dos partos subsequentes;
  • Outra limitação referida é o maior afastamento mãe/filho nas primeiras horas/dias, motivado pelas dores e pelas dificuldades de mobilização inerentes a uma cirurgia.

Sabia que…

Em Portugal, e de acordo com a Comissão Nacional para a Redução da Taxa de Cesarianas, o parto por cesariana representa 33% de todos os partos realizados. Este número representa uma redução face a 2013, cujo valor era de 35,6%. Embora este método possa ser o escolhido de forma autónoma pela mulher sem que exista essa necessidade, o parto por cesariana deve sempre ser fruto de uma decisão ponderada e acompanhada pelo seu médico.

A grávida deve estar consciente das vantagens e inconvenientes da sua escolha, após o devido esclarecimento médico, e deve assinar o consentimento informado em todas as situações.

A cesariana deve ser uma opção clínica orientada e não por razões de interesse logístico ou por uma escolha não esclarecida das vantagens para a mãe e o filho.

Fontes:

http://www.webmd.com/baby/features/the-truth-about-c-sections

http://www.livescience.com/45681-vaginal-birth-vs-c-section.html

http://www.pordata.pt

https://www.dgs.pt