Espaço Família | Estamos Grávidos

Preparação para o parto

11 de Abril de 2014

“Parto à la Carte”

A data provável do parto aponta para 40a semana de gestação, havendo um intervalo de 15 dias antes e 15 dias depois normal.
Nos dias que correm muitos profissionais de saúde e pais não esperam pelos sinais de parto, precipitando artificialmente a data de nascimento.

Há que conhecer e respeitar, os 3 indicadores biológicos: perca do rolhão mucoso, saída de liquido amniótico e contrações uterinas assim com o tempo gestacional do bebé.
Vamos fazer uma comparação entre os sinais de parto e as luzes dos semáforos para simplificarmos o nosso conhecimento acerca do corpo materno .

A cor verde do semáforo é a perca do rolhão mucoso. Este trata-se de muco/secreção que se encontra à porta do utero: colo do útero. A luz verde indica ao casal que perdido o rolhão perto da data de parto, progressivamente ou de uma forma única, o organismo está a sinalizar Livre- trânsito. Há que aproveitar o tempo livre a dois, gozem-no evitando a sobreocupação nas lojas de bebés.

Somente algumas mulheres apresentam como 1o sinal a luz vermelha do semáforo: a perca do líquido amniótico, vulgarmente conhecida como a saída das águas. Não significa perigo, mas requer observação. O bebé perdeu a sua última barreira de protecção e provavelmente o bebé vai nascer nas próximas 24 horas. Muitos pais têm falsas crenças e medos ficando apavorados a pensar que o bebé “não respira”, “está sufocado”. O bebé continuará sempre a receber oxigénio e nutrientes através do cordão umbilical até nascer. Existe é uma maior probabilidade de infecção do meio exterior para o meio intra-uterino. Indica-se aos pais que devem dirigir-se à maternidade/hospital para a grávida ser observada. Este sinal só por si não faz o bebé nascer, é necessário esperar pelo motor de arranque: as contracções uterinas.

O sinal laranja dos semáforos é então a contracção uterina quando apresenta um padrão regular, de progressiva intensidade dolorosa e com um menor intervalo de tempo entre cada uma. Tal como no trânsito requer atenção e um suporte afetivo para a viagem do parto. O organismo da mãe e do bebé vai precisar de horas/dias para estimularem-se de forma mutua e o colo do útero vai progressivamente abrir os tão esperados 10 cm para o bebé poder nascer.

Para além das alterações fisiológicas é fundamental: um suporte emocional, a liberdade de escolha, o consentimento informado, a informação partilhada entre a equipa de profissionais de saúde e o casal ao longo da viagem do parto.

Vivemos num tempo onde a “geração clix” predomina: carrega-se num botão e está tudo resolvido. Não sabemos esperar, escutar os sinais do corpo e do tempo. Chegamos aos limites do Parto “à la carte”.
Debatemos na política e na economia fundamentalismos e atitudes de extremismo. Então, também na saúde devemos respeitar os sinais de “trânsito” que o corpo materno manifesta e decidir em casal a velocidade pretendida.

Deixemos o corpo da Mãe e do bebé marcar a velocidade sem radares de conveniência dúbia.

Fisioterapeuta Maria João Alvito

(Coordenadora do Centro Olá Mamã!)

LOGO_assinatura