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Coaching Parental

21 de Abril de 2013

Parentalidade Positiva

Ontem eu e o J. tivemos uma “saudável” discussão sobre as vantagens de uma educação autoritária. Tenho o exemplo na minha famíla…lembro-me de a minha avó falar sobre o pai. Um homem severo e  que impunha o respeito ( ou medo!) só com a sua presença. A minha avó justificava sempre com “ …eram outros tempos!”
Apesar de o exemplo ser “exagerado”, o J. acha que as palmadas e castigos têm a sua eficácia.
Hoje enviei-lhe para o email este artigo da Magda Dias, para que perceba a diferença!!

É importante sabermos exactamente do que é que falamos quando nos referimos a Parentalidade Positiva (a partir de agora, designada por PP). E hoje vamos fazer um exercício de explicação das outras duas formas (mais tradicionais) de educar. Hoje vamos falar nos extremos. Na educação mais autoritárias e na mais permissiva.

Quais são as características da autoritária? Faz-se uso e abuso das palmadas, dos castigos, do medo e do ‘olha que te dou dois berros’. Se é verdade que no imediato a criança actua da forma como o pai ou a mãe quer, a verdade é que o faz porque não quer ser castigado ou apanhar. Não o faz porque percebeu o interesse de fazer como os pais dizem para fazer. E por isso, só vai fazer quando os pais lá estão e, quando não o fizer, vai andar à procura de justificações e culpados.  No limite, vai desenvolver uma resistência aos pais, vai ser do contra. Ou então, vai deixar de pensar pela cabeça dele (‘cala-te e faz o que te digo!’) e vai andar a vida toda a ‘toque de caixa’. É uma forma um bocadinho castradora.
E agora perguntas-me: mas ó Mum, então eu não posso dar ordens? Claro que sim! A diferença é que na PP (Parentalidade Positiva) escuta-se a criança, pode ou não negociar-se com ela naquilo que é negociável e dizer-lhe para actuar de uma determinada forma, explicando-se porquê, sem ameaças ou humilhações.

A educação permissiva é o contrário da autoritária. Com medo de se frustrar a criança, por causa de sentimentos de culpas (muitas vezes no caso de pais separados ou de pais que trabalham muito tempo fora de casa), deixa-se e permite-se tudo. Ora, uma criança para crescer de forma segura precisa de limites e de regras. E tem de entender isso. E para entender é preciso dizer quais são. Uma, duas, três ou mais vezes. E com muita firmeza. Uma criança que vive sem elas é uma criança com muita ansiedade e que sente que se os pais não conseguem fazer com que ela obedeça, então também não a conseguem proteger. E isso é terrivelmente assustador para uma criança. Mais tarde, vai ser um adulto incapaz, mimado, que acha que todos devem fazer aquilo que ele quer, que devem ajudá-lo (porque a mãe não lhe dava a sopa, porque ele não gostava mas arranjava um pratinho de arroz com cenoura e um bifinho e ele já se calava!).

A PP é um meio termo que se baseia no respeito e na função dos pais que é educar, amar e humanizar a criança e torná-la num adulto íntegro, são e feliz.

Magda Dias
parentalidade positiva