Mães e Pais na 1ª Pessoa

Lénia Rufino 

Not so fast

Para 2015

Sei exactamente o que quero. Em 2014 dei espaço para que me magoassem, dei-me sem receber em troca e, se por um lado não me arrependo, por outro serviu para aprender. Quem gosta de nós, gosta sempre. Não gosta só quando dá jeito ou quando não há ninguém mais importante (ou de quem pode tirar mais benefícios) por perto. Lição aprendida, moving on.

Para 2015 quero um ciclo fechado. Quero as minhas pessoas, mesmo aquelas que só vejo duas ou três vezes por ano, mas que estão lá sempre que eu preciso de um abraço, ainda que virtual. Não quero pesos-mortos nem verbos de encher.

Para 2015 quero trabalho. Quero voltar a trabalhar fora de casa, quero voltar a ser útil.

E quero a minha família. Quero conciliar tudo. Quero ser mãe e trabalhadora e mulher, eventualmente nesta mesma ordem. Quero andar a correr de um lado para o outro, para chegar a todo o lado. Quero reservar duas horas dia sim, dia não, para mim, para me mexer (desde Setembro que as minhas idas ao ginásio foram… raras, vá.). Quero voltar a ler na cama, antes de dormir. Quero fazer alguns bolos, mas não 33 num mês, como aconteceu em Novembro (e ainda estou a pagar o preço disso… e não sei se não vem por aí coisa “grave”).

Para 2015 quero palavras. Quero voltar a escrever. No blog, no livro, com a Margarida, com a Barrigas de Amor.

Quero almoços com amigas. E pelo menos uma saída à noite – em 2014 só tive uma, também. Almoços com amigas tive aí uns 4. Podia ter sido pior.

Em 2015 quero comprar menos. Apercebi-me há dias de que já não consigo comprar só porque gosto – falo de roupa e sapatos. Há uns anos, antes da crise, se via uma blusa que me agradava, comprava, mesmo que não me fizesse falta. Agora não consigo. Para comprar, tenho que precisar. Depois virá o gosto, menos importante, menos relevante. Quero comprar mesmo só o que me faz falta, sem excessos. Isto inclui vernizes, roupa e, mais importante ainda, livros – tenho tantos, tantos por ler que não precisarei de comprar nenhum… e repito a promessa (não cumprida em 2014) de não comprar mais de 3 livros – e talvez nem compre nenhum, que isto do Kobo estar carregadinho de coisas para ler tem que ter vantagens. Bom, se o Tordo editar o 8º livro lá terá de ser.

Em 2015 quero ver amigas felizes. Quero ver a Lia sorrir com a alma. Quero mimar muito quem me dá tanto só por existir. Quero ver a Carolina da Sofia crescer e derreter-me nos sorrisos dela.

Em 2015 quero conhecer o meu sobrinho, que ainda não pude ver por ter nascido prematuro e ter que estar resguardado. E quero estrafegar com beijos a minha afilhada de quem morro de saudades – e a irmã dela também, lógico.

Em 2015 quero menos tempo desperdiçado em redes sociais, quero menos inutilidades, quero mais conteúdo.

Em 2015 quero aprender, crescer e dar ainda mais de mim ao mundo. E quero sorrir de vez em quando, sem me sentir culpada por isso.

Em 2015 quero passar muito tempo com a minha mãe, quero agradecer todos os dias por tê-la comigo, quero que ela saiba sempre o quanto a amo e o quanto me faz falta.

Em 2015 quero ser ainda mais feliz.

Está quase…

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