Atualidade

11 de Junho de 2015

Pais, precisamos de filhos mais altruístas. Como?

As crianças de hoje colocam a própria felicidade acima dos outros devido à educação que recebem dos pais. Mas a sociedade está a precisar de gente mais altruísta. Como? Há cinco formas de o conseguir.

Os pais de hoje parecem ter-se esquecido do significado da palavra “altruísmo”. De acordo com o estudo de Richard Weissbourd, psicólogo da Universidade de Harvard, 80% dos 10 mil jovens entrevistados afirma que os pais se sentem mais satisfeitos quando os filhos põem a sua felicidade e sucesso no topo das prioridades do que quando preferem prestar apoio aos outros.

Este é um dado que faz adivinhar um futuro pouco risonho para a humanidade: “Uma comunidade saudável depende de adultos que estão empenhados em priorizar o bem comum em detrimento do seu próprio”. A consequência do incumprimento destes valores são 30% de estudantes agredidos em ambiente académico, mais de metade das raparigas passaram por episódios de assédio sexual e mais de 50% admitiu mentir ou trapacear na escola. Em suma, espera-se uma geração desrespeitadora, cruel e desonesta.

Se formos ouvir os pais, a opinião é diferente: a esmagadora maioria dos pais afirma que “o caráter moral nas crianças é muito importante ou mesmo essencial”. E de facto assim é, sublinha com o psicólogo Weissbourd, mas é necessário que elas sejam educadas nesse sentido. “Elas não nascem boas nem más”, são moldados de acordo com os princípios que lhes são entregues.

Como educar os filhos para o altruísmo

De acordo com a Making Caring Common – um projeto que ajuda as crianças a absorver valores altruístas –  há cinco estratégias fundamentais para melhorar a moral dos mais novos:

Tornar o bem estar dos outros numa prioridade

Os pais tendem a educar os filhos no sentido de colocarem a sua felicidade e sucesso no topo das prioridades das crianças, mas aprender a equilibrar o bem estar dos filhos com o alheio vai ser preponderante na hora de tomar decisões. Para tal, basta ensinar-lhes a honrar os compromissos mesmo que isso traga infelicidade.

Apresente atividades onde possam praticar o bem

Isto começa em casa: as crianças têm de aprender a praticar o bem junto dos outros, mas também a mostrar gratidão por quem contribui para a sua felicidade. Quando se vive num ambiente onde isto acontece regularmente, há maior probabilidade de a criança se tornar generosa, prestável e tolerante. Mas isto não significa que presenteie o seu filho sempre que ajuda alguém: importa mesmo é conversar sobre essas atitudes.

Expanda o círculo de pessoas por quem o seu filho se deve preocupar

É normal que as crianças queiram proteger aqueles que estão mais próximos deles, como a família chegada e os melhores amigos. Mas ensine o seu filho a preocupar-se com alguém que não conheça bem, como um aluno novo na escola que precisa de ser integrado. Isto alcança-se dizendo à criança para prestar mais atenção às pessoas ao seu redor, ouvi-las e procurar compreendê-las com atenção.

Seja um modelo a seguir

As crianças aprendem por imitação, por isso, aja de acordo com os comportamentos que quer ver espelhados no seu filho. Além disso partilhe dilemas sociais com ele, que ponham em confronto vários valores. Mas não tente ser perfeito: o melhor mesmo é assumir que também erra e tem defeitos.

Ensine a criança a gerir sentimentos negativos

Raiva, vergonha ou inveja são sentimentos que podem brotar quando nos relacionamos com as pessoas que nos rodeiam. As crianças precisam de saber que eles são naturais, mas que existem maneiras saudáveis de reprimir essas emoções sem causar aflições. Uma ideia: ensinar o seu filho a respirar fundo quando está menos tranquilo. E a lembrar-se desse conselho sempre que tal aconteça.

Uma conclusão que podemos retirar destes truques: a estrutura mental das crianças depende dos adultos que somos e daquilo que queremos que a próxima geração se torne. Mas há que salvaguardar um aspeto: não olhar para estes conselhos de um ponto de vista meramente emocional.

Ao Washington Post, o psicólogo Weissbourd afirma que perguntar constantemente à criança sobre o que sente conduz a que ela se esqueça de procurar saber o mesmo nos outros. “Precisamos de dizer aos pais para moderar o foco que colocam no facto das crianças estarem ou não felizes e colocar a prioridade na responsabilidade pelos outros”, conclui Weissbourd.

Fonte: Observador