Espaço Família | O nosso 1º Filho

Psicologia Clinica

1 de Junho de 2016

Os filhos não são nossos

filhos nao sao nossos

Os filhos não são um bem, uma propriedade.

Os filhos não são algo que se queira moldar como barro, de acordo com uma idealização.

Os filhos não são nossos.

«Sóis os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e estica com toda a sua força para que as suas flechas se projetem, rápidas e para longe» (Gibrhan, K. 1927).

Os pais apontam a flecha, dão-lhe direção, intensidade e tudo o resto são circunstâncias, relações, contextos e características individuais que ditarão o rumo a seguir.

Não se sintam angustiados por este aparente sentido de imprevisibilidade.

Não se sintam ansiosos por controlar tudo.

Os pais são inspiração da obra.

Através da genética conjugam-se traços: a cor dos olhos, do cabelo, fisionomia.

Pela convivência absorvem-se hábitos, rotinas e formas de estar.

Mas a complexidade desta continuidade de vida que brota do casal, torna a equação difícil de solucionar. E posso até perguntar, Para quê?

Sosseguem! Tudo irá correr bem.

Na verdade o que importa talvez seja estar atento, presente, transmitir segurança e confiança nas suas competências e dar-lhes entusiasmo para que se sintam capazes de fazer as suas próprias escolhas assente nas suas motivações e convicções.

Importa dar força aos filhos para se conhecerem bem, para terem as suas opiniões, para terem coragem de arriscar viver, sabendo que ali, sempre aperto permanecerão pais acolhedores e constantes.

Os filhos são essa projeção dos pais numa flecha que se deve lançar para longe.

Não queremos filhos meramente obedientes, queremos filhos que se sintam seguros e confiantes para serem livres, sabendo sempre qual o ponto de partida.

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Ana Oliveira

Psicóloga Clínica e Terapeuta Familiar e de Casal

Oficina de Psicologia

 

*Gibrahn, K. (1927) O Profeta