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Terapia do Sono

21 de Outubro de 2014

O Sono das Crianças (e dos pais!)

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Dormir é uma necessidade primária, inerente a todo o ser humano. Por isso, quando somos privados duma boa noite de sono, podemos sentir-nos mais rabugentos, com escassa atenção, e obter um menor rendimento no trabalho. Afinal, por alguma razão, a privação de sono é considerada uma forma de tortura… Quando decidimos ser pais, podemos perguntar-nos quando voltaremos a ter uma noite de sono tranquila. Ora veja as suas questões respondidas neste artigo!

Quantas horas precisa dormir uma criança?

Horas de Sono Diárias

O sono é fundamental para os bebés porque poupam energia que utilizam para o seu desenvolvimento e segregam a hormona do crescimento. Para além da quantidade de horas, é importante que a criança tenha um ambiente adequado, tranquilo, com pouca luz e um horário regular de deitar. Ao longo do crescimento o número de horas necessárias para dormir vai diminuindo até chegar à adolescência.

  • No primeiro mês cerca de 19 horas
  • Até aos 3 meses cerca de 18 horas
  • Até aos 6 meses cerca de 16 horas (incluindo duas ou três sestas)
  • Até aos 12 meses cerca de 15 horas (incluindo as sestas)
  • Até aos 24 meses , cerca de 13 horas (incluindo uma ou duas sestas)
  • Dos 3 aos 7 anos, entre 10 a 11 horas
  • Dos 7 aos 12 anos, entre 9 a 10 horas
  • Adolescentes, entre 8 a 9 horas de sono

Quando que as crianças têm um Ciclos de Sono regular?

Para que o bebé consiga ter controlo sobre o seu padrão de sono, é necessário que:

  • O bebé consiga aguentar-se 3 a 4 horas sem ter fome;
  • O sistema nervoso do bebé esteja suficientemente amadurecido, o que parece suceder a partir dos 4 meses;
  • Se nenhuma destas condições estiver reunida, não desespere nem tente impôr exigências ao seu filho às quais não pode responder.

… Até aos 6 meses a palavra de ordem é paciência!

E depois? Rotina, Rotina, Rotina!

  • Permita que a criança brinque e gaste energias antes da hora do deitar.
  • Tenha cuidado com a alimentação. Alguns alimentos são estimulantes e outros não são adequados porque provocam uma digestão mais lenta.
  • Antes de deitar a criança, poderá dar-lhe banho ou aplicar-lhe um creme por meio de massagens localizadas, que a ajudarão a sentir-se mais relaxada.
  • À hora de deitar, reforce o ritual de embalar, cantar, ler, dar-lhe um objeto de conforto.

 

 

  • Quando despertar, ajude a criança a encontrar o seu objeto de conforto, faça-lhe umas festas, embale-a levemente. O importante é que de forma progressiva, consiga auto-regular-se sozinha.
  • Não substitua um mau hábito por outro como, por exemplo, dar-lhe um biberão para adormecer. Se uma criança adormece tendo como última recordação beber leite pelo biberão, ficará condicionada a depender de um biberão para voltar a adormecer quando acorda a meio da noite.

 

Dormir na cama dos pais? Sim? Não? Talvez?

  • A partir dos 3 ou 4 meses é apropriado tirar a criança do quarto dos pais e passá-la para o seu. Ainda assim, vai muito a tempo de o fazer, se optar pelos 6 meses de idade.

 

  • Evite sempre que a criança durma na cama dos pais, pois para além da interferência na rotina do casal, tal inviabiliza a independência da criança. É preferível que os pais fiquem junto da criança até esta adormecer, regressando posteriormente ao seu quarto.

 

  • É importante que a criança aprenda que é hora de dormir, e que deve fazê-lo sozinha.

 

  • Quando a criança chorar, os pais devem dirigir-se ao seu quarto para a acalmar. No entanto, não se apresse a socorrer a criança de cada vez que ela chorar. Em vez disso, aumente progressivamente os intervalos de tempo em que se dirige ao quarto do seu filho.

 

  • Se a criança se levanta e vai para a cama dos pais, deve ser levada de volta para o seu quarto e estar com ela o tempo suficiente para lhe explicar que tem de dormir na sua cama.

Quais são as Patologia do Adormecer?

  1. Insónia do Primeiro Ano – Muito frequente, reflete um sinal de mal-estar entre a criança e o seu ambiente. Pode estar associado a um rigor excessivo dos horários das refeições, excesso de ingestão alimentar, más condições acústicas, etc. As insónias precoces graves são raras, podem ser de natureza agitada ou tranquila, e devem ser alvo de maior atenção.

 

  1. Dificuldades da criança em adormecer – São muito comuns, e fazem parte do desenvolvimento normal das crianças entre os 2 e os 5-6 anos. A oposição da criança ao deitar pode materializar-se de diferentes formas: instaura diversos rituais, pede aos pais para lhe contar uma história, solicita dormir com uma luz de presença ou com um objeto de conforto, etc. As manifestações clínicas mais frequentes destas dificuldades são:

 

  • Oposição ao deitar: A criança chora, grita, mostra-se muito agitada, levanta-se quando os pais a deitam, e só se acalma após um longo período de luta com os pais.
  • Rituais do deitar: São muito frequentes entre os 3 e os 5-6 anos. A criança pede para dormir com um determinado objeto que lhe confere conforto e proteção, pede aos pais que lhe contem uma história repetidas vezes, ou instaura outros rituais.
  • Fobia do deitar: A criança sente muito medo na hora de deitar, e pode mesmo entrar em pânico assim que se sente a adormecer. Neste sentido, procura dormir com a porta aberta e com uma luz de presença. Frequentemente, quer adormecer junto dos pais.
  • Insónia Verdadeira: Maioritariamente observada nos adolescentes, tendo uma incidência muito rara.

 

  1. Angústias Nocturnas – São episódios que interferem com o sono, sendo vulgarmente conhecidos por pesadelo. Vamos distinguir 3 comportamentos distintos. São eles:

 

  • Terror Nocturno: Trata-se dum comportamento alucinatório nocturno, surge habitualmente no início da noite, e dura alguns minutos. A criança grita bruscamente na cama, não reconhece os seus progenitores e parece alheada de tudo o que a rodeia. Apresenta-se pálida, com suores, e o batimento cardíaco acelerado. A criança volta a adormecer rapidamente, e no dia seguinte é frequente a amnésia do terror.
  • Sonho de Angústia: Caracteriza-se por um sonho nefasto, que acontece frequentemente no início da noite, e do qual a criança desperta gemendo, gritando, e chamando por socorro. Na maioria das vezes, e ao contrário dos terrores nocturnos, a criança consegue relatar o conteúdo do sonho.
  • Despertar Ansioso: Surge entre o terror nocturno e o sonho de angústia. A criança acorda, inquieta mas sem manifestações alucinatórias, muitas vezes vai para a cama dos pais onde volta a adormecer.
  1. Sonambulismo – Perturbação do sono que se caracteriza por episódios recorrentes de actividade motora complexa iniciada durante o sono.

(Marcelli, 2005) 

A barreira entre o normal e o patológico… Vamos a números!

 

  • Até aos 5 anos de idade é esperado que as crianças desenvolvam rotinas elaboradas para adiar o sono, são mais susceptíveis de querer uma luz acesa e de dormir com o brinquedo ou o cobertor preferido. Estes objetos, designados por objetos transicionais em Psicologia, ajudam a criança a passar da depêndencia que caracteriza a criança para a indepêndencia que caracteriza a criança mais velha.

 

  • Cerca de 20 a 30% das crianças nos primeiros anos de vida fazem esforços de adormecimento que duram mais de uma hora e acordam frequentemente os pais durante a noite.

 

  • Cerca de 25% das crianças entre os 3 e os 8 anos, a maior parte rapazes, têm pesadelos ou terrores nocturnos.

 

(Papalia, Olds, & Feldman; 2001)

Quando procurar ajuda?

Deve procurar ajuda sempre que a intensidade, duração e frequência da perturbação do sono interferir significativamente no bem-estar físico e emocional do seu filho. Não se esqueça que o seu médico de família e pediatra são importantes aliados!

Quais são as consequências de dormir mal?

Para além da irritação e do mau humor, poderá ter problemas de concentração, baixo rendimento escolar e perturbações no comportamento. Estudos recentes demonstram que as conexões entre as células nervosas, produzem-se essencialmente enquanto dormimos.

Então… há luz ao fundo do túnel?

Sim! Não desespere! Fique ciente de que os primeiros anos de vida são os mais complicados no que respeita os padrões de sono das criança! Tenha muita paciência e… SorriaJ

 

Psicóloga Sandra Alves

Fale Connosco – Saúde Personalizada

(www.faleconnosco-saude.pt)

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