Atualidade

11 de Agosto de 2014

O seu filho não dorme? Dê-lhe rotina, organização e paciência

Uma cama. Pai e mãe nas pontas e no meio o filho. Outra família. Um pai sozinho e no quarto ao lado a mãe, agarrada à filha que só adormece ao fim de duas longas horas. Um casal que acorda sete vezes por noite para acalmar o seu bebé. É esta a realidade de muitos pais e de filhos que não dormem. Filipa Sommerfeldt Fernandes, especialista em ritmos de sono, diz que nem tudo está perdido. É tudo uma “questão de educação e de organização”.

Filipa Fernandes tem 33 anos e um filho pequeno. Foi por ele não dormir bem que decidiu estudar o sono das crianças. “Queria respostas e soluções diferentes daquelas que encontrava nos livros”, conta ao Life&Style. O seu filho em nada era diferente dos filhos das mulheres que seriam suas clientes mais tarde. “Depois dos cinco meses e de o ter ensinado, ele passou a dormir melhor. Hoje em dia [e já há bastante tempo] ele dorme 11 horas seguidas de noite e uma sesta à tarde”.

E como foi possível chegar aqui? A terapeuta do sono tem um método para resolver estes problemas e acabar com as noites mal dormidas e explica-o no livro “10 Dias para Ensinar o seu Filho a Dormir” (Esfera dos Livros), lançado em Julho, e diariamente na página Sleepy Time no Facebook.

Primeiro é preciso explicar que “não há uma idade mais problemática” quando se fala em problemas de sono nos bebés e crianças. Podem começar aos três meses e acompanhar a criança até à idade pré-escolar. “Os pais vão acreditando que se trata de diferentes ‘fases’. Primeiro esperam que o sono venha depois de passar as cólicas, depois quando se introduzir a alimentação ‘sólida’, depois é a fase dos dentes, depois ficam esperançados quando a criança entra na escola ou começa a andar… e vão passando de fase em fase, esperando que, de um momento para o outro, o filho comece a dormir”, explica Filipa Fernandes.

Quando os pais chegam à consulta com a terapeuta do sono, a sua principal preocupação é o facto de o filho não descansar o suficiente. Com apenas alguns meses, há bebés que dormem sestas de apenas 30 minutos, despertam várias vezes por noite, só acalmam ao ser amamentados, conta Filipa Fernandes. No caso dos mais velhos, as “noites são uma batalha” e a hora de deitar pode arrastar-se por duas horas. Há ainda os pais que trocam a sua cama com a do filho.

Os casos mais complicados estão geralmente relacionados com a “logística” e a “ritmos circadianos alterados” de bebés. No primeiro caso, há dificuldades em “tentar adequar rotinas e horários de uma criança quando a família tem horários muito complicados”. No segundo, quando os “bebés muito pequenos só adormecem pelas duas horas da manhã”, por exemplo.

A especialista em ritmos de sono diz que “quase nunca há um problema fisiológico com a criança que a impeça de dormir”. E mesmo quando a justificação para as perturbações de sono passam por questões físicas, as crianças aprenderam a dormir quando lhes foi organizado melhor o dia”. “Normalmente as questões emocionais, relacionais, educacionais são as culpadas nas perturbações do sono”, sintetiza.

Tendo em conta que as crianças até aos 2 anos têm ciclos de sono de 45 minutos – ou seja, passam grande parte do tempo a dormir um sono “leve” –, fica aberto o caminho para despertares que podem ser constantes e para alguns erros dos pais para que os filhos voltem a adormecer. “O que acontece mais frequentemente é que os pais adormecem os filhos usando o colo, a maminha, o biberão, o toque e o bebé adormece numa determinada situação. Depois, é colocado na sua cama já a dormir. Passado um ciclo de sono o bebé acorda, olha em volta e percebe que não tem com ele o ‘acessório’. E o que faz? Chora e chama porque precisa de ajuda para readormecer”.

Até voltar a dormir, as crianças têm os seus “truques” para adiar o regresso à cama, principalmente as que têm entre dois e quatro anos. “Quem tem filhos destas idades sabe que quando não querem ir para a cama podem ‘precisar’ de fazer chichi sete vezes, beber água, ouvir várias histórias, querer saber o significado da vida… É perfeitamente normal e natural que tentem manter os pais junto deles”, sublinha Filipa Fernandes.

“Rotina só é má nos filmes”

Os horários de alguns pais podem ser a simples razão para uma criança não dormir bem. Estabelecer uma rotina pode ser a resposta para os pais que dizem estar a enlouquecer por não dormirem. “A rotina só é má nos filmes. A rotina é importantíssima para todas as pessoas e em todas as idades. No caso das crianças é essencial”, reforça Filipa Fernandes.

Dada a excitação constante dos bebés e crianças que todos os dias aprendem algo novo, é importante que “percebam que a determinada hora comem, a determinada hora o pai chega, a determinada hora vão para a cama”. “Trata-se de previsibilidade e isso deixa-nos mais descansados e menos ansiosos com o que vem a seguir. As rotinas devem ser relaxantes e agradáveis. E têm de ir sendo adequadas à idade e à personalidade da criança”, argumenta a profissional.

Adepta de uma aprendizagem e independência progressiva da criança perante os pais na questão do sono, Filipa Fernandes realça aos pais que “não é suposto viver à beira da loucura” e que é possível descansar. “É tudo uma questão de educação e de organização. Não é difícil, não é preciso coragem… É preciso determinação, consistência, paciência e amor. E vale muito a pena!”.

Fonte | Life&Style Público