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Cuidados Pós- Parto

24 de Julho de 2014

O que é o Attachment Parenting?

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Durante a gravidez a mãe e o pai imaginam o futuro bebé. Carregam a sua imagem com as suas expetativas e fantasias e, no dia do nascimento, confrontam-se com o bebé real. Desde a gravidez que se inicia o processo de ligação emocional ao bebé e chamamos de vinculação a esta relação que se estende entre o bebé e os pais. A investigação na área da vinculação sugere que os bebés nascem com fortes necessidades de ser alimentados e de permanecer fisicamente próximos do cuidador principal, normalmente a mãe, durante os primeiros anos de vida. O desenvolvimento emocional, físico e neurológico da criança é amplificado quando as necessidades básicas são atendidas consistentemente e apropriadamente. Daqui surge um estilo de parentalidade, chamado de attachment parenting, que se baseia neste importante acontecimento, a vinculação.

O attachmente parenting baseia-se em oito princípios básicos que passo a descrever sucintamente.

Em primeiro lugar, é fundamental preparar a gravidez, o parto e a parentalidade. Isto implica refletir acerca das experiências próprias da infância, trabalhando a ambivalência relativamente à gravidez e preparando o parto. Adquirir conhecimentos nesta fase pode prevenir algumas dificuldades, assim como preparar o parto e tomar opções acerca de escolhas importantes que envolvem todo o processo.

O segundo princípio aborda a alimentação, salientado a importância de o fazer com amor e respeito. Relativamente aos bebés, reforça-se a importância da amamentação. A amamentação satisfaz as necessidades alimentares e relacionais do bebé, mais do que qualquer outro tipo de alimentação, com o bebé a ser amamentado em horário livre. Paralelamente, a amamentação conforta naturalmente o bebé. A amamentação continua a ter benefícios para além dos 12 meses de vida, sendo o desmame um processo natural. Paralelamente a alimentação sólida nunca deve ser forçada à criança.

Fala-se também em responder com sensibilidade. Isto significa que os bebés precisam de ajuda externa para se acalmarem. O adulto pode dar uma resposta consistente e sensível às necessidades do bebé, sendo o contacto físico benéfico e é natural que os bebés o solicitem muitas vezes. Deixar um bebé a chorar não é útil para o seu desenvolvimento.

Usar o contacto afetivo é o quarto princípio, pois para o bebé este contacto estimula a hormona do crescimento, melhora o desenvolvimento intelectual e motor e ajuda a regular a temperatura corporal, batimentos cardíacos e padrões de sono. O contacto pele-a-pele é especialmente eficaz e algumas formas de o promover são: massagens ao bebé, banhos em conjunto, amamentação e babywearing.

Em quinto lugar, importa promover um sono seguro do ponto de vista emocional e físico. Os bebés necessitam de cuidados noturnos, de forma semelhante ao período diurno.Desta forma, cada família deverá encontrar a forma que melhor responde a estas necessidades noturnas, tendo presente que é natural que os bebés acordem de noite, necessitem de contacto físico e de ser alimentados.

A promoção de um cuidado consistente significa que em vez de tentar fazer com que o bebé se adeque a uma rotina que existia antes da sua chegada, se encontrem formas criativas para desenvolver novas rotinas que envolvam o bebé. Quem cuida do bebé deve ser consistente, não incluindo muitos cuidadores diferentes. Ou seja, o pai, a mãe, os avós e, se necessário uma pessoa externa, é o ideal.

A utilização de uma disciplina positiva é o sétimo princípio e envolve o uso de técnicas como prevenção, distração e substituição para guiar gentilmente os filhos para longe do perigo. Disseminar medo nos filhos não tem qualquer utilidade, e cria sentimentos de vergonha e humilhação. O medo leva a um risco maior de comportamento anti-social no futuro, incluindo a prática de crimes e abuso de substâncias. A investigação sugere que bater ou aplicar outras técnicas de disciplina física podem criar problemas emocionais e comportamentais.

Finalmente, é fundamental o equilíbrio entre a vida pessoal e familiar. Os pais são encorajados a aproveitarem o dia de hoje e a aceitarem o facto de que ter filhos muda as coisas. É importante que tracem metas realísticas e que não tenham medo de dizer “não”. Transformem deveres de pais que são “desagradáveis” em coisas agradáveis e sejam criativos para encontrar maneiras de ter um tempo a dois. Dentro da família, cada um deve reservar um tempo para si mesmo.

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Este estilo de parentalidade tem por objetivo promover a ligação emocional entre pais e filhos, focando-se na vinculação e prevenindo dificuldades no futuro. As crianças mais amadas e compreendidas são as mais felizes e transformam-se em adultos saudáveis emocionalmente e resilientes face ao exterior, pois sabem com segurança de onde vieram.

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Marta Russo (Psicóloga Clínica / Psicoterapeuta)