Atualidade

14 de Janeiro de 2015

O que acontece ao cérebro de uma mulher grávida

Os cérebros das mães alteram-se e faz com que se apaixonem pelos bebés. Os pais mais empenhados também podem ser afectados

A ansiedade com a segurança do bebé, a hipersensibilidade ao choro e a ideia de que os filhos são mais perfeitos do que os filhos dos outros são efeitos das alterações desencadeadas no cérebro de mulheres grávidas e recém-mamãs. Estudos neurológicos determinaram que a gravidez altera todas as estruturas cerebrais. “As mães que o são pela primeira vez registam alterações em várias áreas do cérebro. Regiões que envolvem a regulação emocional, empatia crescem, assim como a motivação maternal”, explicou Pilyoung Kim, do Laboratório de Neurociência da Criança e Família, da Universidade de Denver, Estados Unidos, à revista The Atlantic.

A matéria cinzenta, parte importante do sistema central nervoso, fica mais concentrada e a actividade aumenta nas regiões do cérebro que controlam a empatia, a ansiedade e a interacção social. Isto é provocado por uma enxurrada de hormonas que ajudam a estabelecer a ligação entre a mãe e o bebé e verifica-se, sobretudo, na amígdala cerebelosa, grupos de neurónios que ajudam a processar a memória e emoções como medo, ansiedade e agressividade. A actividade aumenta nos primeiros meses depois do parto e, segundo os cientistas, é o que torna as mães hipersensíveis às necessidades das crianças.

As hormonas lançadas pelo cérebro são recebidas por mais receptores na amígdala e isso ajuda a criar um feedbackpositivo que motiva as mães – basta olharem para os filhos para os centros de recompensa no cérebro delas se activarem. E isto acontece apenas com os seus bebés, por isso é que todas as mães estão convencidas que os seus bebés são mais bonitos e inteligentes do que os outros.

A acção da amígdala é tão importante que os cientistas estão convencidos que são as lesões nestes neurónios que provocam a depressão pós-parto. E danos na amígdala das crianças também pode afectar a relação com a mãe.  Segundo um estudo da revista Journal of Neuroscience, as crias de macaco com danos nesta área não identificam as mães e vocalizam menos quando estão assustados.

A amígdala é inundada por hormonas, sobretudo, por oxitocina. “Quanto mais a mãe se envolver nos cuidados do bebé, mais oxitocina recebe”, explicou Ruth Feldman, psicóloga no Centro de Investigação Cerebral Gonda, da Universidade Bar-llan, Israel. Esta hormona aumenta ainda mais se as mulheres amamentarem e, segundo estudos recentes, esta injecção suplementar torna-as mais sensíveis ao choro dos filhos.

Os cientistas descobriram ainda que ser mãe é muito parecido com o que acontece no cérebro quando nos apaixonamos. São activados os mesmos circuitos neurológicos e são estes que fazem com que os bebés cheirem tão bem às mães.

Os homens são algo imunes a estas alterações. Mas isso pode mudar se cuidarem dos bebés diariamente. “A evolução criou percursos que se adaptaram ao papel paternal dos homens, e estes percursos alternativos surgem com prática e cuidados diários”, garante Ruth Feldman.

Fonte | Sábado